Release/Histórico
Entre Perdizes e Higienópolis, bairros paulistanos onde passado e vida-hoje não se dissociam, Os Telepatas buscam decifrar uma imagem e um som.
Uma estética que habita o vácuo do 1978 que não se consolidou na memória musical da época. Um tempo que, desenhado pela São Paulo de Guilherme Arantes e Walter Franco, pela BH de Lô Borges, 14 Bis e Tavinho Moura, não se pôde definir entre a demanda comercial da cultura fonográfica daquele fim de década e o espírito do avanço artístico.
Hoje, como não precisa ser uma coisa nem outra, aquela cidade fantasma, quase urbana, quase bucólica, em 1978, é da banda. Esse espaço, com suas imagens e ares, Fabs Grassi, Rica Monteiro, Thiago Serra e Stan Molina transportam e reconstroem em 2007 - que também fornece seus ares e imagens.
Com o disco Bandeirante, Os Telepatas desbravaram o caminho entre um tempo e outro e plantam sua base a partir de baixo e violões rústicos, tão fortes quanto improváveis de serem elaborados e registrados 30 anos atrás; com efeitos psicodélicos significativos, não mais acessórios; e, mesmo se alimentando de referências exteriores, salvos da paranóia de se comunicar com o mundo fora do Brasil.
E é essa fusão da modernidade pop dos anos 2000 com as pretensões sufocadas da música brasileira "guardada" naquele período setentista que o grupo oferece à música nacional. E à sua continuidade. Liricamente, as paisagens evocativas e os episódios de vida corrente em São Paulo se juntam a letras exatamente sobre o amor.
Através de canções tão diferentes, mas familiares, como "À Cor da Manhã", "O Medo É Amigo Meu", "Minhas Dúvidas" e "Cravo", se anuncia essa caravana de botas e mapas em progressivo desenho chegando onde estamos.