Release/Histórico
A vida não se faz só de talento, nem só de trabalho, nem só de otimismo. Mas, quando estas três coisas se juntam, o resultado obviamente é o sucesso. Não necessariamente aquele sucesso que se traduz em conforto e tranqüilidade financeira.
Conjugando magistralmente estes três fatores, RUBEM CONFETE é hoje, sem dúvida, um homem de sucesso. Sem deixar nunca de ser um homem de trabalho.
Carioca até não poder mais, CONFETE é um criador e impulsionador de uma arte e de uma cultura profundamente enraizadas naqueles ambientes cariocas, onde as expressões mais legítimas da cultura afro-brasileira vieram se encontrar para amalgamar e expandir.
Por isso, CONFETE é um sambista na acepção mais radical da palavra: sambista que faz samba, ou dança samba, que organiza samba, que respira o samba. Foi assim desde Dona Clara, passando pela Serrinha, chegando á Mangueira, dando um bordejo pela Imperatriz e ancorando no Quilombo de Candeia, onde foi um dos líderes mais importantes.
Sem falar no Bloco da Imprensa, onde flutuava nos braços da já saudosíssima Dulce Alves, e sem esquecer os Apóstolos do Samba, Sociedade Cultural e Recreativa que fundou na Avenida Passos. Em São Paulo, CONFETE foi professor de samba, levando até os paulistanos da “Camisa Verde” a cadência e a malícia que eles não tinham nos anos 60. Pode-se dizer, então, que hoje o pujante samba da Paulicéia deve muito, em molho e organização, a este carioca exemplar.
Jornalista, lembro CONFETE driblando galhardamente sua deficiência visual e ditando para datilógrafos da ocasião (um deles foi o sambista Carlão Elegante, ex-funcionário da Agência Nacional) as memoráveis lições de otimismo e de cultura afro-carioca, que escreveu para a Tribuna da Imprensa e outros jornais.
Radialista, ele é o próprio “Rio de Toda Gente”, com seu programa na Rádio Nacional onde recebe a todos de braços e sorrisos abertos, dando uma força, dando uma ajuda, ditando dos escaninhos da memória aquele samba há muito esquecido, dando um recado, teatralizando com muito humor e memória prodigiosa, um caso que lhe contaram há quinze dias.
Iniciado na tradição dos Orixás, CONFETE é autoridade no culto, Ogan que é, confirmado no Ilê Obatalá, Casa da Nação Jeje-Vodun.
Como Presidente da Associação Cutural dos Barraqueiros do Terreirão do Samba, fundada em 02 de março de 1991, ele conduziu e encaminhou as legítimas reivindicações do imenso contingente de foliões trabalhadores que lutam por manter acesa uma das mais importantes tradições cariocas: a dos barraqueiros das nossas festas-de-largo da Penha, Glória, São Jorge, Carnaval, etc..
Por isso, pela lição de otimismo que, apesar das adversidades que sempre, desde menino, enfrentou , e, principalmente, pela generosa capacidade que tem de fazer amigos é que RUBEM CONFETE fez juz á láurea que recebeu em setembro de 1992, a “Medalha Pedro Ernesto”, concedida pelo vereador, de então, Fernando William, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Talento múltiplo, repositório da mais pujante energia afro-brasileira, CONFETE é um “jequitibá velho”, “madeira-de-dar-em-doido”. Então, deixem-no passar, com sua elegância, com sua “non challance” de negro jeje.
Nei Lopes
Confete - sou testemunha - jamais negou paixão e apetência para com os folguedos do povo, projetando seu olhar solitário sobre as tramas e as artimanhas do canto, da dança, do fazimento da arte popular exercitada no Rio. Agora, nosso D. Oba II D'África (sua personificação do personagem no desfile da Mangueira ficará para sempre na memória afetiva dos que amam o samba) se sai com este CD. Um disco que, a partir do título SOU RAÇA, reconfirma e qualifica todo seu legado generoso. E por quê? Simplesmente porque o disco bebe de fontes limpas e cristalinas.
São as fontes que nutriram bambas do Império ou da Portela, gente da estirpe de Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Dona Ivone Lara, ou mesmo Manacéia e até Paulo d