Release/Histórico
Lado A. lado B, lado C
Diversas apresentações, concursos, lançamento do primeiro disco autoral, abertura dos shows de Los Hermanos e Moptop... O que uma banda de Bauru poderia querer mais?
Bom, se estamos falando da Estereoterapia, ela quer muito mais.
Tanto que agora quinteto, formado por Josiel Rusmont (voz e guitarra), Douglas Rossi (baixo) e os recém-chegados Raphael Mortari, Henrique Oliveira (bateria) e Juninho Moretti (teclados), não sentou sobre as boas críticas de “Sobre avenidas e nós”, bolachinha número 1, produzida por eles mesmos no estúdio caseiro (no sentido de casa, já que fica na residência) de Josiel.
Prova disso é o lançamento do single que antecede p segundo álbum, ainda sem nome definido. No CD, as três músicas presentes dão provas que é pra frente que a Estereoterapia olha. São três petardos - e não é exagero dizer que parece termos três bandas diferentes em cada canção. “ O single sai com três canções justamente para mostrar o quão diversificado será esse álbum. Pode-se até dizer que existam lados A, B e C”, avisa Josiel.
Ao ouvir as músicas, é fácil constatar que as diferenças não revelam falta de objetividade ou mesmo identidade - a base do trabalho da Estereoterapia, que sempre primou por bons arranjos do clássico rock and roll com letras mais trabalhadas, está lá. A ela, uniram-se saudáveis influências de Led Zeppelin, The Smiths, Beatles, Mutantes, John Denver e até uma pitada de jovem guarda e folk-rock – cá entre nós, ingredientes de primeira, que fizeram o bolo(opa, desculpe, o disco) crescer.
“Culpa” de Josiel e Douglas que se esmeraram em subir um degrau neste novo trabalho (e subiram uns dez, pra ficar no mínimo), e também de Rapha e Henrique, que entram em cena com idéias, influências e astral novo para o grupo. “ A segunda guitarra deu mais liberdade de composição. Antes, havia uma preocupação de colocar arranjos e não poder executá-los ao vivo . Além disso, o Raphael tem várias outras influências que vieram somar bastante nas canções”, explica Josiel. “Já o Henrique, tem uma influência brasileira na bateria, uma pegada bem diferente. Mas isso não descaracterizou p estilo da banda, e sim fez com que as músicas ficassem com um suingue diferente”, completa.
Bom, vamos ao resultado. Em Roger, fica mais evidente a veia roqueira do quarteto – canção-estória, traz um personagem em busca de si mesmo, seja nas avenidas, seja em seu próprio coração. Já “Petra Côrtes”, mais suingada, tem a letra inspirada em “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Márquez – fala de um amor incondicional, sempre de braços abertos. Por fim, “Polaroid” poderia ter saído de algum álbum dos Beatles: violão e melodia light, letra gostosinha para cantarolar junto, já é minha candidata a hit – e tudo começou porque um ladrão resolveu fazer o rapa na cãs do Josiel, mas não se interessou pela velha Polaroid...
Na audição ( Faça de preferência, com fones de ouvido,para não perder detalhe algum...), você se depara com guitarras por todos os lados ( de slides a solos tradicionais), o baixo sempre pulsante, a bateria marcada e a voz forte de Josiel declamando a poesia sonora – de bônus, ganha violão e escaleta em “Polaroid”. Cada riff foi pensado, todos os acordes foram discutidos, amados, odiados. Três canções, três lados diferentes, uma mesma banda. Isso é Estereoterapia.
O mais justo seria esse single ser tridimensional: assim, seria mostrado, até fisicamente, como uma banda pode soar atual, moderna e versátil sem perder a identidade ou mesmo cair na mesmice que impera entre bandas que ainda lutam por seu trabalho autoral.
Faça um favor a si mesmo: não deixe de ouvir. E bem alto.
Thiago Roque
Jornalista
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