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Release/Histórico
Destruidores de Tóquio
Quando Bob Dylan escreveu, “My Back Pages”, “Mr. Tambourine Man” e mais uma penca de canções na década de 1960, introduziu a poesia no Rock e o Rock nunca mais foi o mesmo. Os Beatles nunca mais foram os mesmos. Lou Reed pôde nascer e com ele o Velvet Underground. E com o VU estavam abertas as portas para uma linhagem de bandas que sofreram, direta e/ou indiretamente, a influência original de Robert Zimerman: Joy Division, The Jesus and Mary Chain, Guided By Voices, Nirvana etc. Pedra atirada no lago, as ondas dos versos existenciais (*“I was so much older then, i’m younger than that now”) de uma nova onda beatnik não pararam de se expandir e na América do Sul e Brasil geraram também seus filhos, antropofágicos pela própria natureza. Até chegarem a Capanema, norte do Brasil, interior do Pará, “ao sol do Equador”. Ou apague-se toda essa baboseira, toda essa “linha evolutiva” tacanha, miserável e chata pra cacete. Os Destruidores de Tóquio já sentenciaram: “... a música perfeita[...] [...]é a batida lúgubre do seu coração” (Música para Suicídio, 2007). De forma não-artística, não há mais nada a se dizer sobre arte que valha realmente a pena. O Mundo, invenção dos Homens, fenômeno estético, está aí para ser modificado. Os Destruidores de Tóquio fazem música como podem: gravações low-fi até o Diabo dizer chega (ele nunca diz), microfones Lesson SM58, teclados Cássio e computador. E estão modificando as coisas à sua volta. Com uma discografia regular (um disco a cada ano, de 2003 a 2007), Alex Lima (baixo e voz), Nazo Glins (guitarra e voz) e Messias Lima (bateria) formam o power-trio capanemense que produz seus próprios clipes, discos e shows, e inventa sua própria maneira de fazer, sem esperar que o fantasma do bom e velho “olheiro” morto de alguma gravadora do além venha “descobri-los”. Não que eles não queiram fama (dinheiro, iates, mulheres, dinheiro, mulheres...). Claro que querem. Aliás, até assinaram com a gravadora Ná Music, e vão lançar disco novo, ainda esse ano. Depois, é correr atrás do dinheiro, o Bob Dylan da linha evolutiva capitalista. Com a grana recebida da venda dos discos, prometem arriscar a sorte grande pela loteria federal, todo mês. * Eu era bem mais velho então, agora sou mais novo (My Back Pages, 1964, tradução nossa). (Ricardo Maradei).