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Release/Histórico
Se a música, assim como todas as outras formas de arte, é fruto da subjetividade, ela não deve, ser, portanto, na denominação de Umberto Eco, “gastronômica”. Ou seja, a música não deve ser encarada meramente como um produto industrial que, segundo o crítico e poeta Augusto de Campos, “não persegue nenhum objetivo artístico, mas, ao contrário, tende a satisfazer as exigências do mercado, e que tem, como característica principal, não acrescentar nada de novo”.
Foi seguindo essa concepção que Duda Souza (bateria), Rafael Ferreira (guitarra), Rodrigo “Buzum” Hutter (baixo) e Bruno Fernandes (vocal) em 1999 fundaram a Itsari em Petrópolis, a cidade imperial da serras fluminenses e desde então o intuito de seus integrantes é fazer uma música que possa refletir suas vidas e transmitir o clima que os circunda. O resultado disso é, por vezes, atormentador, pois toda uma gama de sentimentos, negativos em sua maioria, é canalizada e se reflete em composições de sonoridade densa, agressiva e, em alguns momentos, de melancólica melodia.
Contudo, em termos mais simples, podemos dizer que a sonoridade da Itsari se situa entre o peso do metal e a energia do hardcore sem, entretanto, se prender a um rótulo específico. Aliás, seus integrantes se lançam à constante busca da inovação e da fuga das grades que os rótulos representam para o artista, o que significa que a banda está sempre aberta à experimentação de novas possibilidades musicais.
Atormentadores são também os temas das letras, que falam, por exemplo, da falta de perspectiva de vida; da decepção com a miséria da realidade; de arrependimento; e da falência da personalidade, da opinião e da inteligência fomentada pelos meios de comunicação da máquina do consumo.
Seguindo a cronologia da banda, durante seus dois primeiros anos de existência, ela gravou sua demo intitulada The Same (2000), fez alguns shows locais muito bem comentados e, através da Internet, começou a conquistar seu público. Porém foi em 2002, com o lançamento de seu primeiro cd oficial, Desespero na Bossa Nova, que a Itsari começou a participar mais ativamente do underground brasileiro.
A partir de então o quarteto petropolitano passou a se apresentar ao vivo em diversas cidades brasileiras, sendo escalado para festivais como o DemoSul, em Londrina, e como o paulistano Kool Metal Fest. E se a aceitação do CD já era boa, ao vivo a Itsari cativava ainda mais admiradores com a energia e o profissionalismo de seus shows.
Para ajudar a divulgar seu trabalho, além dos shows, a banda lançou em 2003 o vídeo clipe da canção "Loony by Chy", produzido pela Conspiração Filmes e dirigido por seu baterista, Duda Souza, e por Fernando Sanches. Este vídeo foi bastante veiculado pela MTV brasileira e é o único de uma banda nacional a figurar, no ano em que foi lançado, entre os mais pedidos pelo público do extinto Riff, programa da emissora dedicado às vertentes mais pesadas do rock. Essa constante exibição do clipe permitiu à Itsari alcançar e agregar um público ainda maior em todo o país.
Após uma pausa de um ano e meio em suas atividades a Itsari retornou à cena em 2006 e fez várias apresentações, dentre elas, a abertura de shows do Throwdown (USA) e do No Turning Back (Holanda), além de compor material inédito. Estas novas músicas fazem parte de seu novo álbum, Imperial, já em fase de finalização e com lançamento previsto para o fim de 2007.
Neste novo disco a Itsari segue as mesmas idéias de independência e de liberdade artísticas presentes em toda a sua trajetória. Seus integrantes sabem que isso pode significar a morte comercial de seu projeto, mas talvez não seja por acaso que tenham adotado para ele o nome Itsari, que, em finlandês, significa suicídio.