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Release/Histórico
Em uma cidade como Porto Alegre, que se orgulha em ter sua própria cena musical, não é difícil para uma banda tornar seu nome conhecido e até arrebanhar alguns fãs. Mas também não é difícil desaparecer dentro dessa mesma cena, tornar-se um coadjuvante no canto do palco e depois apagar-se enquanto outros assumem o efêmero papel de protagonistas. Nesse jogo, há as bandas que se gastam em brigar pelos holofotes e há aquelas que têm luz própria.
A Stereoplasticos conseguiu nascer na cena porto-alegrense e superá-la, ao criar músicas que não negam sua origem urbana, mas que se desdobram em poesia. É um trabalho que tem cara própria, cheiro próprio, porque a Stereoplasticos tem cheiro, gosto e rosto. Tem um quê da neblina de Londres e seu britpop melancólico, um pouco de Killers - com pouco mais de foco – uma proximidade da verve criativa de Nova Iorque, um tanto da atmosfera espessa de Tom Waits. Mistura indie, rock e baladas, e o melhor: em bom português.
De 2004 pra cá, a Stereoplasticos lançou músicas, fez shows, lançou CD e cresceu. Lança este segundo álbum agora que já virou banda de gente grande, tanto na sonoridade quanto nas letras. Com a nova formação, que mantém Cristina Teixeira na guitarra e Raphael Schenini nos vocais, mas traz Rafael Mallmann no baixo e Tito Gusmão na bateria, a banda ganha fôlego e pernas para passos mais largos.
A Stereoplasticos amadureceu. Ainda são uns garotos românticos, inquietos e sonhadores. Mas são melhores. Mais objetivos e mais concretos, sabem dizer com exatidão o que querem dizer. Seu som parece preencher espaços, como uma luz fosca que sobe pelas paredes e se espalha como água. Tem peso e força, parece gravidade: atrai e prende. A banda está com os pés no chão. Quem ouve, flutua.
Julia Dantas
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