Release/Histórico
PB - Songbook Vol. 1
Por José Flávio Júnior
Que alegria saber que o disco da PB chegou da fábrica. Numerado. Vai ter distribuição da Tratore. A capinha é uma graça, obra do ilustrador Kako. E tem um tal de José Flávio Júnior como Diretor Artístico da parada. Pior que é!
Estou feliz porque sei de outros jornalistas e outras celebridades (e outros que são as duas coisas) que vão sentir o mesmo. Aí Pedro Só, aí Ricardo Alexandre, Kid Vinil, Lucio Ribeiro, inocente Clemente, gremista Emerson Gasperin, Dinho Ouro Preto, Juliano Zappia em London-London: ficou pronto o disco da PB!
É uma justiça que tardou. Na atividade desde 1990 - com largas pausas, é bem verdade -, a PB ainda não possuía um registro lindão como esse que a fábrica entregou. Tinha demo, cd-demo, com arte até decente. Mas faltava "o disco", prensado por uma gravadora independente caprichosa, como a estreante Inker está mostrando ser.
Ironicamente, esse disco justíssimo começou a virar realidade em mais uma das pausas do grupo. O vocalista Piu estava disposto a se bandear para Nova York no primeiro semestre deste ano (2003). Metal (guitarra), Leandro Barduzzi (outra guitarra), Barney (bateria) e Tiago (baixo) ficariam aqui, na capital paulista, questionando o futuro. E Piu foi mesmo, mas levou consigo todo o material da PB em sua mochila: faixas gravadas entre 1991 e o início do ano, sob a batuta de produtores distintos (o "Detetive" argentino Alejandro Marjanov, Daniel "Instituto" Ganjaman e seu irmão Fernando Sanches). A idéia era tentar masterizar a volumosa obra num estúdio por lá, o que tecnicamente traria uma uniformidade aos registros.
Antes de embarcar no sonho, Piu veio perguntar se eu não toparia organizar uma lista com minhas músicas prediletas da banda. Ele não sabia que essa tarefa eu já tinha feito - a lista estava armazenada numa das gavetas do meu inconsciente. Desde que tomei contato com as canções do quinteto, em 1999, nunca mais escutei bandas independentes com o mesmo ouvido. Meu padrão de qualidade subiu. Passei a exigir boas letras, vocal compreensível, pronúncia impecável, execução competente, melodias elaboradas e assobiáveis. Tudo junto. Claro que, a partir daí, quase toda a produção nacional pop-roqueira virou uma agressão aos meus ouvidos. Sempre que alguém vinha me mostrar uma nova sensação indie ou me dava uma demo, eu inquiria: - "Mas e PB, você já ouviu PB?"
Após um mês gravando e regravando meu CD ideal, enviei a listinha para o cara, que já estava em NY xavecando o Reed E. Robins, do MacIntyre Music Studios. O combinado era de que a banda aceitaria a lista, viesse ela na ordem e com as músicas que viesse. Porque o que me rendeu o convite foi a incapacidade dos integrantes em peneirar um repertório que agradasse a todos. Antes de entrar na história, avisei: - "vou escolher as mais pop, não vou botar nenhuma em inglês..." Eles toparam e eu virei Diretor Artístico! Que trabalho moleza! Deve ser por isso que está em extinção...
Não vou ficar aqui repetindo informações do encarte nem especificando o ano de cada composição. Só digo que das quatro primeiras demos, entraram "Sob O Seu Quintal", "Sol Cativo", "Parado No Inferno" e o "hit" "Ana Solidão" (saiu numa coletânea da revista Frente e deve tocar num seriado televisivo em breve). Do mini-álbum Histórias Sem Valor (que, obviamente, não chegou a ser lançado de forma oficial), foi resgatada a faixa de mesmo nome, "Gasofúria", "A Bomba", "Ânimamonstro" e "Cartão Postal De Shibuya" (além de uma faixa escondida, queridíssima pelos cinco integrantes). Da última cepa são "Luz", "El Mentiroso" e a conclusiva "Trágica-Boogie", que traz no título uma vertente do rock que tempera e diferencia o som de PB. Certas guitarras, banjos e gaitas que aparecem em momentos cruciais nas composições do grupo me levam para o sul dos Estados Unidos, sem que eu consiga explicar exatamente o porquê. Eles citam Velvet Underground, Brian Eno, New York Dolls, T Rex, PJ Harvey, Television, Cazu