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Release/Histórico
O AR DOS VISITANTES
"A minha parte favorita no rock and roll é quando ele respira. Esse momento sublime quando uma banda sente que somente os sons mais rápidos e pesados não são suficientes. É preciso uma pausa, uma modulação mais agressiva, uma puxada de ar para o pulmão: muito precisa ser dito, nada pode ser atropelado. Repito: muito precisa ser dito.
O VISITANTES parece querer arrebentar o útero grunge de onde vieram nesse novo trabalho, intitulado espertamente Na brasa fugaz da cana queimando. As influências e a sonoridade da banda se dissolveram num caldeirão impossível de ser rotulado. Sente-se claramente uma vontade de se desprender do passado e do que havia sido a banda até então, além de uma necessidade violenta de expressar as visões cotidianas vinda dos músicos, com muita energia e vitalidade. O líder do grupo, Fábio Cardelli, é uma das novas cabeças do rock brasileiro contemporâneo de maior personalidade. Grande frontman, voz de timbre característico, acompanhado de uma banda cada vez mais coesa e segura. Como se não bastasse, suas melodias são monstruosamente singulares e inspiradas, servindo quase como uma pele para suas palavras cheias de ironia.
Aliás, suas letras merecem um destaque à parte. Seja mostrando sua verve de cronista da cena independente atual em O Homem-Moto (parceria com o baterista Thiago) ou revelando profunda sensibilidade em Canção dos Amores, Fábio é certeiro, sabe o que quer dizer e como quer dizer. Porto Velho é melancólica, Canción de los Cabrones é divertida, enquanto a belíssima Hippie Bop Teen parece ser a explicação para todas as coisas ali. E todas as coisas nesse disco parecem ser assim, desmedidamente sensíveis, arrebatadas, com um propósito gigante para estarem ali e por isso faz tanto sentido. Se a brasa é fugaz, este disco certamente não é. Nunca soou tão bem respirar."