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Release/Histórico
No ano de 2005 um grupo de amigos, cansado de esperar por algo que mudasse o aspecto cultural e de lazer da sua cidade, Francisco Beltrão – PR, decidiu formar uma banda. Assim, nasceu a Born Again Shell (BASH).
Na década de 1970, bandas que consagraram o punk rock foram formadas justamente para contrariar uma situação cultural presente. A influência exercida por uma delas em especial, os Ramones, fez com que esse grupo de amigos procurasse na música uma forma de escapar da monotonia propiciada pela falta de opções para diversão e de um cenário musical desenvolvido.
Nenhum CBGB’s da vida foi encontrado. A falta de estrutura para um circuito musical local impôs barreiras na tentativa de criar uma cena pop punk na cidade, proposta da BASH.
A criação musical da BASH, influenciada desde o começo por bandas de punk rock e pop punk, adota aspectos do cotidiano como inspiração. Por exemplo:
“Nossa História” contém de forma implícita críticas aos padrões e estilos de vida pré-estabelecidos e cobrados pela sociedade. O refrão “Agora vou viver a vida do jeito que eu jamais vivi”, de acordes e batidas rápidos que proporcionam sensação de liberdade, é uma espécie de resposta aos moldes de comportamento ditos como corretos.
A introspectiva “Tormento” aborda uma temática que permeia a vida de qualquer ser humano: o tempo. Quando tudo parece estar perdido e fora do lugar, não seria conveniente voltar no tempo? Ou o melhor seria o contrário, dar tempo ao tempo?
A primeira impressão que “Adeus” passa é de uma meiga canção sobre alguém apaixonado e arrependido por ter errado durante uma relação amorosa. Mas não é! A letra até pode ser interpretada assim, acaba se encaixando, mas poucos sabem que é uma composição extremamente pessoal e ligada a vida de um amigo que nunca será esquecido.
Isso não significa que a BASH é formada por três corações de pedra, pois relacionamentos também são fontes de inspiração. “Te Vejo na Vida Real” é uma composição íntima que retrata uma situação de grande decepção no amor. Alguém disse certa vez que quem canta seus males espanta.
A escassez de oportunidades para apresentações, reflexo da falta de incentivo, tanto por parte de empresários do ramo da música e do entretenimento quanto das instituições públicas locais ligadas ao meio cultural, fez com que a banda andasse com as próprias pernas.
Mesmo assim, fica difícil considerar que a BASH, desde então, percorre a trilha do underground local, pois até mesmo essa cena é praticamente imperceptível.
O notório é a força de vontade de três pessoas que estão fazendo acontecer fora de sua cidade, buscando se projetar no país de maneira independente para alcançar seus anseios e poder dividi-los, com muito prazer, com todos os que se identificam com o caminho traçado pela BASH.