Release/Histórico
Como começar um texto sobre Arthur Franquini? Poderiamos inventar uma história maluca, dizer que Arthur saiu do Forgotten Boys porque estava de saco cheio da banda, do punk rock e que a música eletrônica é sua nova paixão. Ou falar de uma noite insana após um show dos Boys, Arthur chegou em casa e escreveu um disco inteiro dedicado a uma garota que ele mal conhecia. Tudo besteira.
Após deixar o Forgotten Boys, Arthur ficou um tempo compondo. Na virada 2001/2002 com a ajuda de alguns amigos, se trancou no estúdio para gravar um dos discos mais legais de todos os tempos. Um disco que resgata valores e idéias perdidas há muito tempo nesta confusa aglomeração de bandas que algumas pessoas classificam como indie. Ok, se eles querem chamar assim, não vamos falar nada, afinal o som de Arthur Franquini só pode ser descrito como rock. Aquele rock em estado bruto que os Stones faziam antes de Mick e Keith virarem dois bunda moles de marca maior, aquele rock que Johnny Thunders fazia antes de trocar a palheta por uma agulha ou ainda aquele rock que Jonathan Richman defende até hoje como se estivesse travando uma guerra contra o mal.
Arthur resgata com maestria o impulso dos artistas citados, sem esquecer do seu toque pessoal, afinal, o cara não é um mero karaoke das melhores bandas dos últimos 20 anos. Arthur escreveu todas as músicas, com exceção de duas: uma escrita por Tyla do Dogs D'amour e outra por um dos mestres da Slag, o incrível Nikki Sudden da época dos Jacobites. Complicado é continuar falando sobre o trabalho do Arthur, ele também não curtiria toda esta falação.