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Jair Naves

     Jair Naves

Depois do EP Araguari, lançado em fevereiro de 2010, Jair
Naves agora apresenta ao público duas novas canções de seu trabalho solo
– “Um passo por vez” e “Minha cúmplice, minha irmã, minha amante”.
Nesse trabalho, Jair nuança o universo temático particular explorado em
composições anteriores e aprofunda as entoações que ganharam fãs ao
longo de toda a carreira do compositor.


Primeiramente,
“Um passo por vez” soa como progressão quase matemática – portanto,
organizada de forma racional – de um emaranhado afetivo que vai, em
dolorosa gradação, compondo os passos que constituem e implodem o
sujeito da canção. Os primeiros acordes lembram a ambiência sonora de
“Araguari I (Meus Amores Inconfessos)” – mas os contornos que delineiam o
sujeito são aqui definitivamente menos nostálgicos: o sujeito é “pouco
mais que a soma de incontáveis hematomas”, à moda de andrajo melódico
“de um percurso errático, sobre escombros”.


“Dar um
passo por vez” é, assim, espécie de mantra subvertido para consolar e
dar sobrevida a uma identidade constituída sobre o fracasso e a fratura.
A relação falhada com o irmão, perdida no tempo cego do orgulho, e a
incapacidade de apaixonar-se são as expressões desse sujeito que hesita
em vincular-se devido a certa onipotência que fica desvelada na
melancolia da progressão melódica: não há quem o detenha, ele não admite
exceções à regra. O descompasso entre a experiência subjetiva e a vida
concreta vem marcado entre aspas, pois o emprego, a rotina e a mulher
amada não correspondem às incongruências ilimitadas que por vezes
contaminam o cotidiano e mergulham o sujeito na mais funda solidão.
Finalmente, “dar um passo por vez” é o refrão de um sujeito viciado de
si, em tentativa permanente de reabilitação da própria vida afetiva por
meio de uma conta simples e precisa, compassada, da ordem da razão –
exatamente para evitar perdê-la.


Mas, em
“Minha cúmplice, minha irmã, minha amante”, o sujeito poético de Jair
Naves deixa vazar no tom declamatório dos versos e na pequena extensão
da canção o desejo de “fugir da solidão”, a esperança pelo milagre de
“nascer de novo” e de “recuperar o gosto pela vida”. É a perda da
cúmplice do título que pontua a entoação marcada ao piano: a
predestinação maldita do eu – que permeia toda a obra de Jair Naves,
seja nas canções solo, seja nas do antigo Ludovic – se espraia à
cúmplice, à irmã, à amante, levada pelos policiais e chorada à entrada
do presídio. Amante e amada estão amalgamados pela má sorte, pela
“existência que não se justifica”, que remete ao Drummond do “Poema de
Sete Faces”. Os pontos de fuga, aqui, são a “luz de alcance curto
rastejante sob a porta” e a lembrança carinhosa da menina mais bonita –
pequenos lampejos líricos (daí a impressão, em alguns trechos, de que se
ouve um poema declamado) de um sujeito fraturado que está à cata – um
passo por vez, de bar em bar – da reconstituição de si próprio por meio
do amor, a despeito da vontade de dormir pra sempre.


 Texto por Rogério Duarte.

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Mensagens



  • 12/10/2011 Gi Luersen

    ***** TALENTOSO!

  • 16/09/2011 Amanda Cristina Noll

    sempre perfeito!

  • 22/05/2011 Leandro

    muito bomm

  • 12/05/2011 tony trujillo

    Pra quem pensa que a tristeza ,serve só pra embalar seu coraçâo fádigo ao fim .Ele tem suspiros criativos e surpresos!

  • 11/05/2011 Arthur Castilho

    ademais, eu tenho uma musica inteira que combinaria perfeitamente na sua voz. se estiver interessado. me de um toque.

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Genero: Easy Listening
Cidade: São Paulo / SP

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Um passo por vez (Single)

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Araguari EP

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