Novas colinas e
velhas chapadas — ou zeitgeist do Watson
Por Pedro Brandt
No ano do cinquentenário da capital do Brasil, a efeméride teria tido bem mais
graça com a vinda de Paul McCartney para cantar parabéns pra você diante do
brasiliense. Um escândalo político de proporção histórica a menos também nos
faria bem. Mas no futuro, eu gostaria de lembrar de 2010 por outros e melhores
motivos. E, com certeza, lembrarei deste ano por conta do lançamento do
primeiro disco do Watson.
Batizado com o nome do quarteto formado por Miguel Martins (voz, guitarra e
autor das composições), Adriano Brasil (baixo), Filipe Vianna (guitarra, voz e
teclados) e Augusto “Jack” Coaracy (bateria), o disco reúne algumas das
melhores músicas que eles fizeram desde 2002 (quando ensaiaram pela primeira
vez, ainda sem a guitarra de Filipe). Tantas outras boas canções, tão boas
quanto essas 12 faixas que entraram no CD, acabaram de fora. Prova do talento e
da produtividade dos rapazes.
Em Watson, a banda rearranjou músicas antigas, fez pequenos ajustes em outras
mais recentes e gravou pela primeira vez algumas inéditas. Em todos os casos,
as composições ganharam seus registros definitivos, suas melhores versões. Para
isso, contaram com a ajuda dos irmãos Dreher, Gustavo e Thomas (este, dono do
estúdio em Porto Alegre onde o disco foi gravado em julho de 2009), dois dos
mais competentes produtores do Brasil.
Miguel, um cronista de sua época, faz de suas composições um autêntico
zeitgeist. O guitarrista capta com sensibilidade ímpar o espírito do momento em
que vive. Um reflexo de quem saiu da adolescência e entrou na vida adulta na
última década e deu de cara com o tédio da rotina, os relacionamentos partidos,
as decepções, novas responsabilidades e desafios de se ter 20 e poucos anos. Nas
letras, está também a percepção de quem vive numa cidade que não tem esquinas
(só conversa de bar, como eles cantam em Tupanzine), mas que é muito mais do
que o funcionalismo público e a acomodação apática dentro dos apartamentos das
superquadras. Brasília é metrópole e interior, conforto e rebeldia, amor e
ódio, modernismo retrô e novidade, novas colinas e velhas chapadas.
De certa forma, como o próprio Watson. Nas músicas, estão lá os Beatles, Jeff
Buckley e Minutemen. E também Caetano Veloso, Stone Roses e Prot(o). Ou ainda
Bob Dylan, Pavement e Blur. Mas eles não soam exatamente como nenhum deles. Não
espere referências obvias. Afeitas a melodias memoráveis e riffs ganchudos (por
vezes violentos), as guitarras travam tanto diálogos quanto duelos. A cozinha é
elegante e precisa (e pesada se necessário). E, claro, difícil não comentar a
inconfundível voz do Miguel, por vezes macia, por vezes trovão. O Watson não
inventou a roda, mas a está rodando a sua maneira. Tudo uma questão de estilo.
A banda já entrou para o rol das cult bands brasilienses e seu disco é desde já
item indispensável na discografia do rock de Brasília. Se vão alcançar um
público maior, fama e reconhecimento já é outra conversa. E quer saber, isso é
o de menos. Se você está lendo isso, já sabe do que eles são capazes.
Pedro Brant é jornalista de cultura do
Correio Braziliense.
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ae rapazeada!!!! grande prazer conhecer vcs.....du ***** em sampa....
abraço dos bicho du looodo!!!!
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