Tinha o Diego e tinha o Mark, dois amigos do peito desde a época de colégio. Cada um tentava dar um presente de aniversário o mais inusitado possível pro outro a cada ano. E em 1994 o Diego resolveu gravar uma demo caseira pra presentear seu amigo no final de abril.
Diego passou uma semana socado dentro do quarto munido de um gravadorzinho de 4 pistas fuleiro, uma guitarra Jennifer que não afinava nem a pau, um teclado Casiotone bem precário, um microfone sem marca e da boa vontade da irmã mais nova e do filho da empregada pra cantarolar junto com ele. Foi assim que a primeira demo da Doiseu veio ao mundo. No fim-de-semana, as 14 faixas da demo estavam mixadas e gravadas numa fita, prontas pra servir de presente pro aniversário do Mark. Mas faltava um detalhe... O nome da entidade que tinha gravado aquilo tudo.
Num momento de tédio supremo de uma aula de sábado da faculdade de comunicação que Diego freqüentava na época surgiu o nome: "Doiseu Mimdoisema", uma brincadeira com o próprio nome. Di = Dois / Ego = Eu / Me = Mim / Di = Dois / Na = Em + A = Ema
Com a fita pronta e o pseudônimo escolhido, lá foi o Diego tirar cópias da tal demo. Queria não só dar uma k-7 de presente ao amigo, como também deixar algumas cópias pra vender numa locadora de CDs que costumava ir.
E não é que o presente agradou mais pessoas além do Mark? Um DJ de uma rádio local, Beto DJ, comprou uma fita da Doiseu na locadora e aprovou o material, tocando em sua programação a música "Epilético". Aí foi tudo alegria: a música passou a ser transmitida pela rádio em quase todos programas diários e chamou a atenção de Marcelo Ferla, jornalista gaúcho que possuía uma coluna muito legal em um jornal porto-alegrense. Já o Ferla por sua vez mostrou a demo pro Carlos Eduardo Miranda, diretor artístico do selo Banguela junto com os Titãs, que gostou tanto da primeira fita da Doiseu que resolveu contratar a banda (o projeto de um homem só acabou virando um grupo pra tocar as músicas nos shows que foram surgindo).
O disco pelo Banguela não saiu, mas a banda continuou entre várias formações até 1996, com um belo histórico de festivais nacionais e shows antológicos.
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