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Release/Histórico
É como um desenho infantil. Vem logo a imagem do vocalista contornado em giz de cera, com um microfone do seu tamanho, soltando riscos vermelhos que vão para todos os lados do papel. A bateria aparecendo duas vezes, porque não há quem não diga que ela não seja duas, as cordas do baixo em toda a moldura e as guitarras em rabiscos fortes, de uma criança que queria sentir também enquanto riscava. E mais quatro caras sorrindo, com os braços levantados, as pernas de palito flutuando, em cima de uma única linha. Ao redor, como só é possível num desenho, vários objetos, dos mais próximos de nosso tato, daqueles que vemos todos os dias e nunca pensamos em representar, aos mais difíceis de se pôr em uma forma. Não há nenhuma ordem que não pertença à livre-vontade de conduzir os traços como der. E a impressão que segue ao olhar tudo isso é uma atmosfera forte, em que coisas que não deveriam estar juntas finalmente estão, atiçando a vontade de perguntar por que é que nunca estiveram. Ao mesmo tempo não confunde, não desampara. O desenho de uma criança, mesmo que às vezes fale de coisas talvez tristes, conduz sempre a um sentimento de proximidade com o que há de bom em estar aqui.
*Por Saulo Dourado, escritor.
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