O nome Grinders, para aqueles que de alguma forma se envolveram com a música punk na década de 80, sempre esteve associado à cultura do skate. Isso se deve ao fato da banda e seus integrantes enxergarem o nome, sobrenome e atitude presentes no esporte como fonte vital de inspiração e energia para sua música. A partir da união de duas bandas que atuaram no início da década de 80, surgiu o único grupo brasileiro da história a ser oficialmente adotado pelos praticantes do esporte. Em 83, quando alguns dos membros das bandas Inimigos da Ordem e Holocausto se reuniram pela primeira vez, surgiria aquilo que mais tarde acabaria ficando conhecido como Grinders. O nome de uma manobra não poderia deixar de se adequar ao estilo e proposta da banda de forma tão perfeita. O grande culpado pelo batismo foi o amigo, skatista e empresário Jorge Kuge (proprietário da marca Urgh!). Desta forma, surgiria oficialmente no ano de 84 na região do ABC paulista uma nova banda de punk rock completamente influenciada pelo skate punk californiano da década de 80, vide nomes como Circle Jerks, Agent Orange, Black Flag, TSOL, Dead Kennedys e Misfits (que na verdade, era do estado de Nova Yorque). Como a formação do grupo possuía skatistas locais, o rótulo de banda de “skate rock” ou “skate punk” acabou surgindo naturalmente e tudo o que os integrantes puderam fazer foi aceitar o rótulo. Eles possuíam o quesito necessário para se encaixar no gênero: uma banda formada por skatistas que produzia música punk. Isso aconteceu em uma época onde o cenário da música e o movimento punk em si encontravam-se em plena efervescência devido às atividades realizadas pelos principais grupos punks da época. E assim como Cólera, Ratos de Porão, Inocentes, Auster, Hino Mortal e Submundo (que mais tarde se tornou o Garotos Podres) deixaram seus nomes cravados na história do rock nacional, o Grinders também deixou suas marcas a começar pelo seu primeiro registro oficial, a coletânea Ataque Sonoro. Lançada na época do bom e velho vinil, foi um importantíssimo marco para todo um movimento.
Lançada no ano de 1985 pelo selo Ataque Frontal, o vinil trazia originalmente 2 faixas gravadas pelos Grinders e outras músicas de bandas como Sperogramix, Kães Vadius, Lobotomia, Garotos Podres, Varsóvia, Desordeiros, Cólera, Ratos de Porão e Não Religião. Pouco antes, ainda no ano de formação (84), a banda havia lançado sua primeira demo tape com 9 faixas. Pobreza, ex-baixista, atual vocalista e único membro original do grupo relata; “Apesar de termos tocado em outras bandas antes, nunca havíamos entrado em um estúdio de gravação. Essa havia sido a primeira vez e naquela época era tudo muito mais difícil que hoje em dia. Não haviam equipamentos adequados como se encontra na maioria dos estúdios de hoje”. Após a boa repercussão e impressão causadas pela coletânea e demo-tape, faltaria pouco para que o grupo fosse convidado a gravar seu primeiro e durante anos, único álbum. Foi então que, em 87, o Grinders registrou em 16 canais no estúdio Vice-Versa sob a produção técnica de Redson (Cólera), as 12 faixas do álbum que leva o mesmo nome da banda. O álbum pode ser considerado uma obra de arte da história do punk brasileiro e é sim, a maior e talvez única referência para o skate punk produzido em toda história da música underground do Brasil. Em outras palavras, um grande clássico. Faixas instrumentais à lá Agent Orange como “Grinders” e “Homem Aranha” marcaram época e hinos como “Skate Gralha” (que acabou sendo trilha de um dos primeiros vídeos de skate brasileiros, o do campeonato de Guaratinguetá de 88), “Destrua Um Monstro Nazista”, “Serviço Militar”, “Ruas de Soweto”, “Puta Vomitada”, “Como é que Pode” e “Minha Vida”. Quem não se recorda dos versos desta última que diziam; “O mais difícil na minha vida foi batalhar, uma grana bem rápida prum skate eu montar. Pois não via a hora, não via o momento, de ir para a pista sentir o cimento...”. Estava tudo ali; letras irônicas sobre a repressão