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Melhores do ano
por TramaVirtual

Saiba quais são os melhores discos independentes nacionais de 2006, eleitos pela TramaVirtual e profissionais do meio

19/12/2006
Já que fim de ano sem listinha de melhores do ano não é fim de ano, decidimos então fazer a nossa. Para tanto, pedimos a pessoas ligadas ao meio que enviassem uma relação com seus dez lançamentos independentes (independente = não lançado por uma das quatro grandes gravadoras multinacionais) nacionais favoritos de 2007. À partir daí, foi conferido o valor de 10 pontos para o melhor colocado em cada lista individual e, para cada posição abaixo um ponto a menos (nove pontos para o segundo, oito para o terceiro e assim por diante). A lista que você vê abaixo, comentada pela TramaVirtual, é resultado da soma de todos os votos.

Para se ter uma idéia do volume e da qualidade da produção independente atual no Brasil, mais de 60 lançamentos diferentes receberam votos dos jurados. No fim, chama atenção a variedade de estilos que compõem esta seleção final, do funk carioca ao metal, do samba ao hip hop, do indie rock à MPB. Não gostou do resultado? Poste sua lista na área de comentários lá embaixo.

15º – Idioma Morto - Ludovic (Travolta Discos)
12º – Max de Castro – Max de Castro (Trama)
12º - La Re-Vuelta - Los Pirata (Independente)
12º – Ópera Obliqua - Mzuri Sana (Trama)
11º – Noisecoregroovecocoenvenenado – Zefirina Bomba (TramaVirtual)


9º - Solta o Frango EP – Bonde do Rolê (Open Field)
Celebração! O Bonde do Rolê saiu de Curitiba para estremecer as baladas do mundo. Mixando as batidas do funk carioca com riffs clássicos de rock, o trio garantiu a diversão em 2006 ao unir letras irreverentemente mal-intencionadas com performances magníficas, instigando até o mais tímido garoto a pular na pista. O hit “Solta o Frango”, que abre o EP, já anuncia o espírito do disco: não há tempo para respirar ou para um copinho d’água, o Bonde vem com tudo em seis músicas explosivas. Danças expansivas, refrões gritados e rachaduras nas paredes, se a idéia é colocar a casa abaixo, esse EP cumpre o seu dever. (Pedro Bruno)


9º - Elma EP – Elma (Amplitude)
São apenas nove minutos, divididos em quatros faixas, todas instrumentais. Mas para que mais? Isso foi tudo que o Elma precisou para mostrar com brilhantismo que metal ainda pode ser inovador. Cinco integrantes com os braços afetados por ícones como Black Sabbath, Neurosis e Pelican se juntaram para fazer do Elma também uma referência. Como se não bastasse a qualidade das composições, o EP auto-intitulado, que acabou de ser lançado pelo selo Amplitude, teve a masterização de John Golden, responsável também por discos de bandas como Melvins e Sonic Youth. Metal pesado, cru, lento, sujo e, principalmente, inteligente. (Leandro Carbonato)


8º - Cão – Romulo Fróes (YB)
Em seu primeiro CD, Calado (2004), Romulo Fróes encontrou na melancolia a ponte entre o samba e suas raízes mais indies. Aqui, o músico segue reverente a mestres como Nelson Cavaquinho, Caymmi e Ataulfo Alves enquanto assumidamente incorpora tintas da MPB do início dos anos 70. A presença do gênio Lanny Gordin vem como carta de intenções, enquanto a perversão de “Mulher Sem Alma” (Nelson Cavaquinho) aponta gloriosamente novos caminhos à tradição. Disco de fim de tarde, de fim de bebedeira, de início de manhã, Cão enfileira algumas das mais tristes e bonitas canções lançadas em 2006. (Dagoberto Donato)


7º - Velha Guarda 22 – Mamelo Sound System (YB)
O manancial de idéias de Rodrigo Brandão, Lurdez da Luz e companhia precisou trombar com o filtro sistemático do produtor gringo Scott Hard (De La Soul, Wu-Tang Clan, etc) para encontrar foco, que veio tão preciso que nem a incrível constelação de convidados (membros do Hurtmold e Nação Zumbi, Céu, Tony Allen, entre outros) conseguiu embaçar. O flow ainda rola old school, como sempre foi a pira do grupo, mas agora surge macio na medida, nem malaco, nem mano. Acompanhando, alguns dos beats mais certeiros de que se tem notícia por aqui e bases que provam que, pra ter cara de Brasil, hip hop não precisa necessariamente passear pelo sambinha. Alucinante. (Dagoberto Donato)


6º - Seres Verdes ao Redor – Supercordas (Trombador)
Seres Verdes ao Redor é pra ser ouvido descalço, com os pés no chão. Leve, sentimental e divertido, soa como um grande entrelaçado de histórias reais e imaginárias. Da primeira música até a última música, o CD te leva pelo mesmo caminho de encantamento de um filme como Big Fish, de Tim Burton. A trilha sonora perfeita! Folk nacional da melhor qualidade, que tem baixo, guitarra, bateria, viola caipira e mais um monte de parafernália, utilizada com maestria a favor da boa música. Totalmente produzido por eles e gravado no estúdio da Trama (a banda foi vencedora do Concurso TramaVirtual No Capricho), o CD é de uma delicadeza sem igual. (Fernanda Cardoso)


5º - Homem-Espuma - Mombojó (Trama)
O segundo CD do Mombojó é do tipo ame ou odeie, um álbum feito pra ser ouvido várias vezes e redescoberto a cada audição. Com arranjos e composições bastante complexos, ele revela a maturidade musical atingida pela banda. Em cada faixa, é revelado um pedaço deste novo Mombojó: moderno, inventivo, dançante, que te deixa com saudades de um tempo que parece nunca ter existido. As participações completam esta grande unidade, conferindo ao CD uma cara de plano seqüência. O maior presente fica por conta do mestre Tom Zé, na faixa “Realismo Convincente”, em que ele recria seu clássico “Tô” e incendeia ouvidos em um duelo com o vocalista Felipe. (Fernanda Cardoso)


4º - Debate EP – Debate (Amplitude)
Sentimentos como raiva, irritação, stress, felicidade e calma afloram em qualquer discussão acalorada ou conversa apaixonada. Todas essas sensações são facilmente percebidas durante uma audição do primeiro EP da banda paulista, que carrega o sugestivo nome de Debate. O trio é formado por dois ex-integrantes do extinto Diagonal e se embebeda na fonte que Ian MacKeye destilava com o Fugazi. Com um dos melhores shows da atualidade, a banda toca torto, toca pesado, com vocais escassos, mas berrados com a demência de alguém no auge de sua loucura. (Leandro Carbonato)


3º - Anotherspot – PELVs (midsummer madness)
É fácil sentir a brisa mexendo os seus cabelos ao se ouvir o novo disco da PELVs. As nove faixas de Anotherspot são recheadas de belas melodias repletas de acordes e notas constantes, quase minimalistas, que completam-se com vocais suaves que sussurram as letras. O experimentalismo sempre acompanhou a banda durante os seus quinze anos, mas nesse quarto disco eles investem em harmonias que esbarram no pop. As músicas grudam na cabeça e não é difícil cantarolar pela rua trechos de “Baby Of Macon” ou “Lia”. Nostálgico, bonito e íntegro, Anotherspot consolida a busca de uma sonoridade própria e a maturidade da Pelvs. (Pedro Bruno)


2º - Danç-Êh-Sá – Tom Zé (Irará)
É impressionante como um artista aos 70 anos de idade e com mais de 20 discos em sua carreira ainda consegue se reinventar e lançar uma obra-prima, vanguardista sob todos os aspectos. Depois do vastamente elogiado Estudando o Pagode (2005), Tom Zé mais uma vez nos presenteia com um disco brilhante. Dessa vez, no entanto, o músico abandona os convencionais versos e estrofes para trabalhar apenas com onomatopéias. O resultado se desdobra em sete canções magistrais, de arranjos complicados, porém acessíveis, que se apóiam em instrumentos de percussão, baterias, harpas, sanfonas, cornetas, cavacos, violões e muitas vozes. Gênio. (Flávio Seixlack)


1º - Superguidis - Superguidis (Senhor F)
A sensação que se tem ao ouvir o último álbum do quarteto gaúcho Superguidis é a de que se trata de uma compilação dos grandes sucessos de uma banda com alguns anos de estrada. Afinal, cada música poderia ser single. Cada canção é, de fato, um hit. Resgatando influências do melhor do indie rock da década de 90, como Guided By Voices e Pavement, o Superguidis prova, a cada faixa, que a simplicidade pode e deve trabalhar a favor da música. Composições como “O Banana” e “Malevolosidade” foram hinos na redação em 2006. Não se espante, então, se a qualquer momento elas se tornarem sua trilha sonora diária. Com guitarras distorcidas, riffs finos, belas harmonias e letras grudentas sobre o cotidiano, esse é um disco altamente viciante. Para corações partidos, sim, mas para aqueles repletos de inteligência emocional e sensibilidade musical. (Flávio Seixlack)

Quem votou
Alexandre Matias (Trama Universitário / Trabalho Sujo), Carlos Eduardo Miranda (produtor), Dagoberto Donato (TramaVirtual), Equipe Coquetel Molotov, Fábio Bianchini (Diário Catarinense), Fernanda Cardoso (TramaVirtual), Flávio Seixlack (TramaVirtual), Guilherme Barrella (Brasa / Peligro), Gustavo “Mini” Bittencourt (Conector / Ligado, Plugado, Amplificado), Leandro Carbonato (TramaVirtual), Lúcio Ribeiro (IG), Pedro Bruno (TramaVirtual), Rodrigo Lariú (midsummer madness), Ronaldo Evangelista (Folha de São Paulo), Thiago Ney (Folha de São Paulo)



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Comentário

13/01/2007
Fernando Jardim Rosa Filho / FERNANDOJRF@GMAIL.COM
Eleitos!
É muito bom saber que temos uma banda gaúcha em primeiro lugar em um site da credibilidade que é o TramaVirtual!Aqui no Sul e mais específico no Rio Grande do Sul temos vários estilos e culturas de música o que faz ser um estado eclético e extremamente difundido e revelador de várias banada boas!Muit boas, modéstia a parte!A nossa cultura rock, indie e alternativa entre outros é muito forte mas penso que bandas como Cartolas e Apanhador Só(para ficar por aí) também deveriam ter tido um lugar de destaque nesta lista! É isso!Um abraço a todos!

11/01/2007
kekson / KC_RASCUNHO@HOTMAIL.COM
=]
Bandas como ELMA e DEBATE merecem estar aonde estão!

01/01/2007
pietro / PIETROZANATTA@HOTMAIL.COM
nunca
voces deviam dar chance tbm pra galera do harcore

21/12/2006
Hamilton R. G. Frausto / HAMILTONMI@HOTMAIL.COM
Tá faltando um cd aí
Acredito que não citar "Músicas que caem em pé e correm deitadas" do Bazar Pamplona foi uma omissão de um dos 5 melhores trabalhos de 2006! espero que no ano que vem eles lancem o albúm cheio e possam ser reconhecidos como uma das maiores bandas brasileiras da atualidade!

20/12/2006
Fernando Rosa / SENHORF@ABORDO.COM.BR
Fernando Rosa / Senhor F Discos
Os guris merecem. De alguma forma, o disco é um pouco da cara desta década de mudanças. "Feito em casa", da gravação até as guitarras e pedais. Simplicidade, inteligiência e rock and roll. Falei demais! Senhor F Discos agradece a Trama e a todos que votaram. Que 2007 seja um grande ano para todos nós. Viva o Independente F.C.!

20/12/2006
Leonardo Lago / LEONARDOLAGO@GMAIL.COM
SUPERGUIDIS!
uau!!! Fico muito feliz por ver a banda Superguidis sendo reconhecida! Conheço o som deles há muito pouco tempo, mais precisamente desde que eles tocaram aqui em Floripa com Pipodélica e Lenzi Brothers. Eu já estava de saída - o trabalho me tiraria da cama cedo no dia seguinte - quando os garotos subiram ao palco. "Vamos ficara um pouco mais, amor" falei para a namorada e aguentei lá! Comprei o CD que ouço todos os dias desde então, pensando "Essa banda é muito boa! Pena que as músicas tem soh dois minutos...". Ainda bem q não estou sozinho!


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