Após lançar o EP
Coração Pedra de Gelo e o single
Vegas Special,
Os Telepatas estão de volta. O quarteto paulistano acaba de lançar seu novo álbum, intitulado
Bandeirante. Fruto de uma extensa pesquisa estética, o disco traz onze belas faixas com arranjos delicados e detalhados. “Foi um trabalho de sete meses. Começamos em novembro, paramos em dezembro e voltamos até julho”, conta o guitarrista, vocalista e compositor Fabs.
A banda entrou em estúdio com quatro músicas pré-definidas. “Contávamos com o processo de gravação para amadurecer as outras idéias que tínhamos e daí formar o restante do repertório”, conta. “Canções como ‘À Cor Da Manhã’, ‘Dissipado Amor’, ‘Grito’, ‘Maria Clara’ e ‘O Medo É Amigo Meu’ foram compostas e produzidas no decorrer do processo”.
Bandeirante foi gravado e produzido por Fabs (“escolha de timbres, mapeamento final das canções, etc”) no Totem Estúdio. A mixagem ficou por conta de Yuri Kalil. “Ele realmente tinha todas as ferramentas pra levantar o som que estava sendo buscado”.
Uma das faixas, a já citada “O Medo É Amigo Meu”, foi registrada no estúdio da Trama durante a participação do grupo no programa de TV da TramaVirtual, no quadro intitulado 12 Horas de Estúdio. “Foi ótimo, uma baita experiência produtiva!”, lembra. “A mixagem final do disco não é a da Trama e regravamos algumas vozes. Coisas que pelo prazo de 12 horas não conseguimos o melhor resultado possível”, emenda.
O nome
Bandeirante, segundo Fabs, traduz o sentimento que a banda tinha “no decorrer do processo de gravação”. “Era como nos sentíamos à medida que escrevíamos o resto do disco. Descobrindo e re-descobrindo estéticas, linguagens, temas que queríamos tratar”. Tudo a ver com a pesquisa estética feita pelo quarteto, que deu um novo direcionamento ao som dos Telepatas. Se em outros lançamentos o grupo esteve muito próximo de um pós-rock espacial ou coisa do tipo, com o novo álbum a banda está caminhando de mãos dadas com influências como Lô Borges, Beto Guedes e Guilherme Antes, além de bandas como Wilco e Grandaddy “e, claro, nossos amigos geniais, Supercordas”.
A pesquisa não apenas ajudou o grupo a encontrar o som que precisava, mas também resgatou referências esquecidas de cada integrante. “Tínhamos que voltar, olhar pra trás, usar violão de novo”, diz. “Comecei a pesquisar outros tipos de sonoridade (fuzzes, tremolos, vibratos). Acho que naquela hora, que precisávamos dar o passo seguinte da banda, nos voltamos pro nosso interior, como bandeirantes mesmo, pra poder compor o resto do disco e resgatar as canções encostadas”, completa.
No novo álbum, as boas letras do grupo tratam de assuntos diversos, como a vida em São Paulo e a racionalização nos relacionamentos. “São canções 'sobre' o amor, e não 'de' amor”, conta Fabs. A idéia agora é tocar por todos os lados e divulgar o disco, além de compor novas canções. “Acho que é o melhor que podemos querer pra agora!”