Histórias de pescador não costumam ter credibilidade, mas foi na disputa do maior peixe que a
Banda Leme surgiu. Formada por De Leve, o produtor gaúcho Flu, Flavio Santos (ex-De Falla) e o guitarrista Luciano Granja, o projeto nasceu na metade do ano passado, fruto do tempo livre que atingia os três. “Foi uma coisa de uns seis ou oito meses atrás quando eu e Flu decidimos fazer umas músicas avulsas, pra passar o tempo, já que ambos estavam meio parados, sem shows pra fazer e sem nada em mente”, conta Freitas, codinome adotado por
De Leve em entrevista à TramaVirtual.
Aproveitando o fato de estar acompanhado por músicos, Freitas resolveu explorar outras formas de composição, fugindo do rap já conhecido de sua carreira solo, logo na primeira base enviada por Flu e Luciano. “Não sei o que eles esperavam, pelo visto eles achavam que eu fosse fazer um rap, mas eu não fiz. Não era minha vontade. Minha vontade, já que estava com músicos bons, era poder inventar coisas novas”, conta. O resultado dessa primeira investida agradou a dupla e a Banda Leme passou a explorar e diversificar suas composições. “Fiz a música ‘Vingativo’. Eu achei tão samba-rock que resolvi me testar, será que eu consigo fazer um samba-rock? E fiz. Quer dizer, não é um samba rock, mas é alguma coisa inspirado nele”.
Dado o pontapé inicial, não demorou para o trio compor e gravar as cinco faixas disponibilizadas na TramaVirtual, sendo duas delas bases compostas por Freitas, que não se conteve apenas com as letras. “Me arrisquei nos instrumentais, algo que venho fazendo há algum tempo” diz. Essas músicas devem compor o primeiro disco da banda, que pode sair apenas virtualmente. “Não sei se vai sair encartado, pode ser que fique somente na internet, a não ser que alguém queira bancar um disco e nosso sonho de morar no Leme. Estamos abertos. Podem nos ligar, temos mais umas sete ou oito músicas em finalização”.
O tal sonho de morar no Leme está escrito no release da banda, que conta de maneira um tanto duvidosa algumas curiosidades do trio, como o fato de Freitas compor seis letras em 72 horas. “É um pouco lenda, mas não conta pra ninguém se não estraga nosso release”, admite. “Na verdade eu não sei até hoje se foi exagero ou se foi verdade porque eu fiquei alguns dias – as tal 72 horas – me concentrado nisso. Será que foi isso mesmo? Não lembro mais”. No próprio blog que o grupo criou existe uma seção exclusiva para contos. “Alguém lê aquilo ali? Nem sei. Nunca ninguém comentou nada. Acho que as pessoas acham são histórias de pescador, é mole?” Em meio a tanto papo sem credibilidade a única certeza que Freitas passa é sobre a origem de suas letras, nada autobiográficas. “Tudo que acontece na minha vida é tão desinteressante que eu não teria coragem de cantar”.
Com somente um show feito para amigos no Botafogo, a Banda Leme promete preencher mais datas em sua agenda. “Estamos pensando em levar a praia até pra São Paulo, olha que maravilha! Imagina você em Sampa se sentindo no Leme? Não é bom? Nós também achamos que vai ser. Mas agora estamos ensaiando e terminando o que falta”, conta. Apesar da promessa, a banda esbarra em alguns problemas na hora de programar suas apresentações. “Ninguém quer pagar nosso caché milionário. E dizem que o cheiro de peixe é muito forte. Nem com coentro adianta. Fazer o que? Nós somos pescadores, ora!”
Compartilhando o mar com o microfone, Freitas acredita que está mais fácil viver de peixe do que de música. “No Rio de Janeiro é bem complicado. Pelo menos hoje em dia. Tem muito pouco espaço e os espaços que têm não pagam bem. É bem complicado. Mas a gente não desanima, aliás, a gente veio pra animar”. Apesar da queixa, ele garante que o trio conseguirá algum dia a tão sonhada moradia no Leme. “Sem dúvidas, nem que seja na Babilônia”.