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Além do rock rural
por Flávio Seixlack

Bonifrate, vocalista e compositor do Supercordas, mostra canções de seu segundo disco solo nesta sexta-feira (25/01) no Clube Berlin

24/01/2008
De uns tempos pra cá, o cantor e compositor carioca Bonifrate vem se destacando como um dos melhores da cena independente. Seres Verdes Ao Redor, o disco de estréia de sua banda Supercordas, foi eleito por uma turma de jornalistas e pela equipe da TramaVirtual o sexto melhor de 2006. No ano passado, Bonifrate lançou Os Anões da Villa do Magma, seu segundo trabalho solo, pelo selo Open Field. O álbum novamente conquistou os ouvidos da crítica e apareceu na lista dos melhores do ano do site, dessa vez em quinto lugar. Nesta sexta-feira (25/01), o músico se apresenta na festa Brasa, no Clube Berlin, em São Paulo. Por e-mail, Bonifrate falou à TramaVirtual.

Quando foi que você começou a compor?
Quando tinha uns 13 ou 14 anos me vieram uns primeiros rascunhos de canções, e logo eu comecei a gravar com um sistema rudimentar de overdub, usando um gravador portátil e um micro-system. Fazia fitinhas que eu tratava como álbuns completos, com nomes do tipo The Great Mushroom Forest Fair ou The Dwarf and the Magician Sail Into the Sun. Ouvia muito prog-rock naqueles tempos, mas também as coisas legais que estavam aparecendo no final dos anos 90. Quando ouvi Os Mutantes e me pegaram pela primeira vez, vi que era legal escrever aquele tipo de canção em português.

Como foi sua primeira música?
A primeira coisa que de fato me agradou e eu adotei acho que foi uma suíte psicodélica chamada "Mushroom World". Contava uma história bastante maluca e naive sobre duendes satíricos e florestas de cogumelos.

Quais as principais diferenças entre compor pra seu projeto solo e pro Supercordas?
Não tem diferença muito definida. Às vezes alguma coisa que eu compus pensando em gravar sozinho, eu acabo injetando nos Supercordas. Mas tradicionalmente, acho que as idéias que precisam de mais completude e consistência ficam para a banda, as que precisam sair do casulo desesperadamente eu acabo gravando e selando. Tenho um certo apreço pelo espírito lo-fi de "fazer de qualquer jeito" e ver como a canção fica no fim, mas com os Cordas a coisa deve ser diferente.

O que te inspira / influencia na hora de escrever suas músicas?
Eu ouvi o Van Dyke Parks dizendo que o processo de composição de uma canção é algo completamente incógnito. Assino embaixo. Não tenho idéia do que inspire ou deixe de inspirar uma canção. As frases vêm à cabeça de qualquer tipo de situação.

Você lançou Sapos Alquímicos na Era Espacial em 2002. Como você gravou esse disco?
Eu distribuí fitas pros amigos na época e agora muita gente baixa pela internet, mas não foi devidamente lançado. Eu gravei com meu velho porta-estúdio de quatro canais, dentro do quarto. Fui usando qualquer coisa como instrumento de percussão, um casiotone, guitarras e violão. Soa totalmente lo-fi, mas eu gosto muito de algumas coisas, e ele tem a primeira versão de "Frog Rock", que entrou nos Seres Verdes ao Redor dos Supercordas.

Os Anões da Villa do Magma foi gravado em 2005 e, no ano passado, saiu pela Open Field / Peligro. Fale um pouco sobre esse trabalho.
Foi gravado em parte no mesmo espírito do anterior, usando o que tinha pra usar, mas só que com esse tinha um pouco mais. Foi gravado no computador e depois o meu irmão Valentino botou certa ordem na bagunça e fez o lance soar muito melhor na mixagem. Foi um bom laboratório pra depois fazer o Seres Verdes. Daí foi ótimo dois anos depois o Gui Barrella se interessar em lançar, com uma linda capa da Ana Tokutake. E desse eu gosto bastante mesmo.

Esse disco ficou em 5º nos melhores do ano da TramaVirtual, escolhido por um time de jornalistas e por nossa equipe. Esperava por isso?
Sinceramente, não esperava não. Achei incrível ele ficar ali, entre os cinco melhores, no meio de um monte de gente legal. Fiquei bem feliz.

Como tem sido suas apresentações? O som funciona ao vivo da mesma forma que em estúdio?
Não. Funciona de um jeito bem diferente. Eu conto mais com a espontaneidade de juntar uma banda, ensaiar umas poucas vezes e ver no que dá. Gravar tudo sozinho em casa é um outro processo.

Quais os planos pra 2008 (Bonifrate e Supercordas)?
Bom, como Bonifrate, talvez fazer algumas apresentações pocket quando rolar. Talvez tocar no Rio com uma banda diferente. Este ano vai se concentrar mais nos Supercordas mesmo. Temos um vídeo saindo em breve, a gravação de um disco novo programada pra fevereiro e uma agenda crescente de shows por aí.



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