O
Mentecapto é uma daquelas bandas que surgiram com a enxurrada provocada por Julian Casablancas e companhia no ano de 2001. O furacão Strokes não só abriu o caminho para a popularização do indie rock como gênero, estilo e até tribo, como também foi responsável pelo surgimento de muitas bandas replicantes. A strokemania passou também por Mogi das Cruzes, meio da rota entre a capital paulista e o litoral, e deu um choque na mente de André Marques, hoje guitarrista do Mentecapto, que imediatamente formou uma banda em homenagem aos americanos.
Anos depois, porém, os caras se desprenderam da influência e passaram a atender por Mentecapto. Além de apresentar uma identidade mais personalizada, as músicas carregam hoje arranjos mais elaborados, pesados e barulhentos. As guitarras rasgadas lembram Queens Of The Stone Age e Mars Volta. Uma travessia ocorreu, assim, no prisma estético: da urbanidade strokeana não tanto até o mar; mais em direção o ambiente árido e conturbado dos confins americanos.
Prestes a completar dois anos, a banda segue divulgando seu EP, inteiro disponível na
página da banda na TramaVirtual, e planeja lançar o álbum de estréia no ano que vem. A comercialização do EP, como descrita na entrevista abaixo, mostra que o grupo está antenado quanto às novas tendências do mercado fonográfico: é à lá Radiohead, cada um paga quanto quiser.
André Marques, guitarrista da banda, falou à TramaVirtual.
Quando surgiuFormamos a banda em outubro de 2006. Passamos 7 meses compondo e fizemos nosso primeiro show em Maio de 2007. Queríamos apresentar somente músicas próprias.
Como surgiuTenho um estúdio de gravação, e na época estava fissurado em Strokes. Gostava tanto que resolvi montar um Strokes Cover. O Leandro, baterista do Mentecapto, trabalhava comigo no estúdio, e por conseqüência, se tornou o baterista da banda. Chamamos o Henrique pra tocar guitarra com a gente. Ele tinha uma banda que sempre ensaiava no estúdio. Depois de alguns shows com o cover, resolvemos naturalmente fazer músicas próprias. Isso passou a ser o nosso grande tesão. As coisas fluíam muito rápido e vimos que ali estava acontecendo alguma coisa bem diferente. Da formação do Strokes Cover, só o vocalista e o baixista não fazem parte do Mentecapto. Chamei então uma amiga minha de longa data, a Priscila, pra tocar baixo. Passamos cerca de 3 meses só compondo e procurando um vocalista que achássemos perfeito. Finalmente encontramos o Alexandre e o Mentecapto estava completo.
Principais influênciasCada um na banda tem influências bem distintas. Ouvimos praticamente de tudo dentro do Rock. Acho melhor citar algumas bandas que influenciam os integrantes e que tenham alguma influência pro Mentecapto: The Mars Volta, The Strokes, Franz Ferdinand, Queens of the Stone Age, Chico Buarque, Música Clássica em geral, The Beatles, Pink Floyd, Iron Maiden, Tom Jobim, Muse, Frank Zappa. Sei lá, são infinitas bandas.
Como define seu somAcho um pouco difícil rotular. Costumo falar que é rock alternativo, pois é uma alternativa diferente dentro do rock, devido à mistura de influências. Talvez seja um Stoner Rock Alternativo Hard Bossa Prog Doidera. Mas tem o seu fundamento. Às vezes soamos até um pouco pop. Mas são pouquíssimos momentos.
Por que vale a pena ouvir sua banda?Porque as músicas mostram uma sonoridade diferente do que existe por aí e creio que não enjoam rápido. As construções harmônicas não são usuais e as letras são bem pensadas. Você não vai achar o Mentecapto parecido com outra banda facilmente. As letras praticamente relatam algum acontecimento da vida de quem a escreveu, mas de uma maneira quase poética.Talvez seja nas letras e na construção dos arranjos que Chico Buarque e o povo da bossa tenham um peso maior no Mentecapto. Mas acho que é nos nossos shows que a galera pode realmente sentir a força da parada. Essa é a hora que Cedric, Omar e sua turma (Mars Volta) falam alto. Mas temos nosso próprio estilo.
Vocês têm uma banda por quê?É a coisa que mais gosto de fazer na vida. Só por isso. A melhor maneira que me expresso é tocando e compondo. E creio que os outros integrantes também. Não tem nada melhor na vida do que subir num palco, plugar a guitarra num ampli, aumentar muito o volume, pisar no Big Muff e agitar que nem um maluco. É melhor que tudo na vida. Até a dor de dente some.
Uma idéia de show idealAdoramos festivais e toda a confraternização que há entre a galera. Festivais com uma estrutura grande, com um grande som, amplificadores maravilhosos, iluminação frenética e palco espaçoso é o ideal. Mas também adoramos show minúsculos com o público na sua cara. A troca de calor e energia é incomparável.
Planos para o futuroEstamos mapeando bares de todo o estado de São Paulo pra começar a agendar uma tour a partir do próximo mês. Posso te dizer que dá um trabalho imenso! Tem muitos e muitos bares. Mas estamos conseguindo, com muito esforço. Essa tour seria pra divulgar nosso primeiro EP, para a galera conhecer a banda. No meio do ano que vem vamos parar pra gravar o álbum completo, com uma produção e um esquema bem maior. Aí sim pretendemos rodar por muito mais lugares, e não só estado de São Paulo. Vamos entrar em contato com selos e coisas do tipo pra ver o que rola.