Não serão poucas as bandas brasileiras que vão se apresentar em Austin este ano. O
Cassim & Barbária foi uma das primeiras locais a serem chamadas para o SXSW, festival que acontece na capital texana e que, em seu gigantismo e variedade, dá à pequena cidade de vocação universitária o status de uma Marrakesh do cenário independente, pano de fundo de uma enorme feira de sons, e business, novos ligados ao meio. O festival, no entanto, mostra-se apenas como uma das "frentes" em que a banda do veterano músico de Curitiba se empenha.
"O SXSW nos convidou em Novembro, logo depois foi o Canadian Music Week Festival de Toronto. No meio tempo, um selo de NY se interessou em nos lançar lá e está programando os shows. Já tem um marcado em NY, deve rolar também em Filadélfia, Atlanta, Athens e outras cidades. Pra mim o importante é estar lá naquele turbilhão de informações, fazer bastante conexões e conhecer bastante coisa. Agora estamos na parte mais delicada do processo, que é o pedido de visto. Mas acho que vai dar tudo certo. E pelo que tudo indica vai rolar mais coisa internacional em 2009. Tudo depende de grana, como sempre, mas a vontade de nossa parte e de produtores existe", conta Cassim, que, em sua biografia vê escrita, entre outras coisas, a liderança do grupo
Bad Folks.
Com alguns singles e EPs já lançados (tudo disponível no perfil da banda por aqui) e apostando em misturas inusitadas como a do soul com o kraut alemão,
Cassim & Barbaria faz parte de uma movimentação nova no sul do Brasil, mais particularmente Curitiba. Uma movimentação crescente (conta com bandas como
Mordida,
stella-viva,
ruído/mm) e diversa, que estamos tentando documentar por aqui nos últimos meses. O jornalista curitibano Guga Azevedo, porém, lapidou um termo que abarcasse todas as manifestações (até fundou um
blog com o motivo) em um conceito único, a "Subtropicália". Cassim se baseia em Floripa, atualmente, e conta com músicos da cidade no projeto.
"Florianópolis é um falso paraíso com cara de inferno subtropical. A natureza aqui é aterradora, implacável, e a interação entre a cidade e o pouco de mata atlântica que sobrou nela é conturbada. Ao mesmo tempo, é uma das razões pelas quais as pessoas vêm tanto para cá passear ou viver. Acho a situação dessa cidade bem representativa da situação em que o Brasil se encontra. Por um lado, corrupção, problemas sociais graves e má utilização dos recursos naturais. Por outro, uma interação amistosa entre as pessoas, cooperação e um jeito de se viver mais descomplicado, otimista. É uma alternativa que o Brasil pode oferecer ao mundo. Acho que isso está na música ‘Orchard’", revela o compositor, que cava também nas prateleiras de literatura científica os temas para suas obras. Diz gostar de Bill Bryson, por exemplo.
Cassim conta mais sobre a
Subtropicália e seu peso unificador: "É uma maneira brasileira se ver e fazer música, sem que seja necessariamente cantada em português ou sem ter elementos pontuais da música brasileira, indentificáveis. A coisa brasileira está mais na atitude, na novidade e na empolgação.
Subtropicália tem a ver com o sul do Brasil, com lugares como Floripa e Curitiba, onde chuva, vento e frio desbotam as cores e deixam todo mundo menos animado. Mas ao mesmo tempo, ainda é o Brasil, né? Tem um monte de pássaro colorido cantando na minha janela, tem um calorzinho que vem de vez em quando, mulheres usando pouca roupa. Eu acho legal isso, da
Subtropicália, mas não quero que se torne um rótulo".
A, segundo descrição do próprio Cassim, "banda de rock experimental alemã dos anos 70 transportada para 2010 e tocando versões de Michael Jackson e Otis Redding" se prepara para lançar, depois desses passeios pelo mundo, um disco full pelo selo Midsummer Madness. Em 2009, claro. Quem gostou do que ouviu, uma sonoridade pós-internet acima de tudo, em que todos esses afluentes musicais podem se juntar e correr juntos, pode esperar mais, portanto.