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Holofote – Tronco
por Enrico Vacaro e Claudio Szynkier

Cast cheio de promessas e amor pela estrada são as marcas da Tronco, terceira entrevistada da série sobre produtoras

11/02/2009
A terceira iniciativa que tentaremos entender dentro da série de matérias sobre agências e produtoras é a Tronco. Fazem parte da produtora velhos e novos conhecidos da cena independente. Entre os velhos, Sergio Ugeda, (ex-Vurla, Debate, Diagonal e fundador do selo Amplitude). Os novos, são Gabriela Munin e o Holger Bernardo Rolla.

Dois mil e oito foi um grande ano para a Tronco. Holger, Homiepie e Stephanie Toth despontaram como grandes promessas da música. Além disso, turnês pelo interior de São Paulo (como a de Macaco Bong e The Name) colocaram em prática algumas crenças e sonhos de seus idealizadores.

Sua base é uma bela casa ao lado do Parque do Ibirapuera, a mesma que abriga a Sala 222, estúdio onde as bandas da Tronco costumam gravar e onde, em outubro passado, um gordinho careca chamado Dan Deacon deu as caras para um show privê. Bom relacionamento internacional é outra das frentes da empresa. Algumas de suas bandas estão confirmadas para o South by Southwest, que ocorre em Austin, Texas, daqui a algumas semanas.

Outra marca é a vocação agregadora. Nos últimos meses e anos a Tronco formalizou uma espécie de família, reunindo membros das bandas e da produtora, algo que eles chamam de Le Agressif Crew. O nome veio à tona quando fotos do coletivo foram divulgadas como material promocional de um evento que levou grande parte do cast a um salão de festas velha-guarda da Lapa para um festival. A produtora gosta de colonizar locais inusitados e o próximo evento é o Park Life 2, que ocorre nos dias 14 e 15 no Parque do Carmo, em Itaquera..

Confira entrevista.

O que faz sua agência/ produtora?
Basicamente agendamos turnês de bandas nacionais e internacionais no circuito do estado de São Paulo, agenciamos algumas bandas fixas, fazemos consultoria e management.

Por quê?
Uma banda só se torna uma banda de verdade colocando o pé na estrada, suando a camisa e fazendo shows. Ainda mais com a queda da venda de discos nas lojas, o único meio de você promover seu trabalho é indo até as pessoas.

Quando surgiu?
A Tronco Produções nasceu em Novembro de 2007.

Como?
O Sérgio Ugeda fundou a Amplitude em 2004. No começo de 2007 eu (Gabriela Munin) me juntei a ele pra ajudar a tocar a gravadora, marcando alguns shows. Quando percebemos que essa era a única saída para a música, resolvemos criar a Tronco, uma empresa voltada somente à produção de shows, que hoje conta também com Eduardo Ramos e Bernardo Rolla.

Onde fica?
Nosso escritório fica em São Paulo, pertinho do Parque Ibirapuera.

Principais influências.
Música que gera discussão (desde que bem-humorada) e livros em geral. Our Band Could Be Your Life do Micheal Azerrad e Tour: Smart and Break the Band do Martin Atkins são dois títulos que dão o tom da nossa ideologia.

Que bandas trabalham com você?
As bandas fixas em nosso cast são: Black Drawing Chalks, Debate, Gigante Animal, Hierofante Púrpura, Holger, Homiepie, Lulina, Macaco Bong, Music Settlement, Satanique Samba Trio, Stephanie Toth, The Name e Tony da Gatorra.

Por quê?
Porque, antes de mais nada, são bandas que realmente gostamos. Seus integrantes são pessoas que chamamos de amigos e é um prazer fazer as coisas para eles. A partir de junho teremos novas bandas incluídas em nosso cast..

Planos para o futuro. E para o breve.
Pretendemos continuar fazendo as turnês, explorando outras cidades, crescendo, ramificando e expandir nosso circuito por todo o Brasil.

O que aconteceu de mais legal até agora?
Uma das coisas mais legais que nos aconteceu foi a consolidação do projeto Desbravando o Interior. Hoje temos um público fiel em cada cidade do interior, que sempre vai nos shows, compra o material das bandas e nos escreve perguntando quando vai rolar a próxima turnê. Isso é impagável.

O que você acha do cenário brasileiro de música independente em 2009?
Achamos que é real.

O Brasil, como cenário macro, não inspira grandes sonhos, pois sua natureza institucional (que é cartorial, antipática a estratégias culturais e artísticas não massificantes) sempre barrou a liberdade; no caso, liberdade em releção a modelos de poder e favorecimento. é possível ver daqui a 10 anos algo realmente interessante, um mercado "independente" realmente bom, dignamente rentável e, principalmente, não contaminado por essa natureza?
Trabalhamos com esta expectativa e determinação para participar, de acordo com o panorama pessimista que você colocou, de uma transformação positiva no ponto exclusivo dos shows. Nada eliminará, usando suas próprias palavras, a natureza industrial apenas voltada para o lucro estéril. Nada eliminará executivos, muito menos mudará a ordem institucional. Ela continuará existindo. Não contamos com esta possibilidade romântica. A natureza institucional barra empreendimentos e isto é algo que atrapalha a economia brasileira de maneira assustadora. O mercado independente é uma economia e, por isso, sofre deste problema de maneira absurda. O mercado independente no Brasil é muito novo, ou seja existem muitos problemas, mas em uma alusão a Kubischeck, andamos 50 anos em 5, sem a menor dúvida. Se o Brasil seguir os passos do que acontece fora, logo surgirá uma subdivisão do mercado dito independente, que hoje em dia nos EUA é um mercado de milhões. E isso não vai demorar muito para acontecer isso (vide explosão de festivais e interesses de marcas em patrocinar ações ligadas ao mercado independente). Sabemos que depende apenas das pessoas - bandas, público e colaboradores em selos e outros - para finalmente atribuir sentido ao significado de tocar sua própria música em diferentes cidades na frente das pessoas e buscar as condições certas e necessárias para que as turnês aconteçam.

E por quê?
Porque, caso contrário, nada acontece. Sabemos como é. Uma banda grava um disco e não faz nada com ele como produto ou com suas músicas como expressão e patrimônio central de sua existência.

O que seria independência nesse meio, e nesse momento histórico?
Pagar as contas com o dinheiro gerado pela sua música. O sonho de muita, muita gente por aí, temos certeza.



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Comentário

16/02/2009
Elton Custodio / PSYCO_REAL@YAHOO.COM.BR
Hasta la Victoria, Siempre!
Eu também confio no crescimento do ótimo cenário independente do Brasil. Não só pela qualidade de muitas bandas, como pela paixão viceral pela música dessas pessoas que crêem no que fazem, transformando em realidade concreta os seus ideais e sonhos. E vamos nessa que é bom à beça!

16/02/2009
Diogo Darkie / D_DARKIEWICZ@YAHOO.COM.BR
Engatinhando!
Gostei muito da matéria! Sou independente e tenho que fazer o trabalho de formiguinha para conseguir colocar meu CD na estrada ( www.diogodarkie.com.br ). Muita pesquisa sobre as rádios que apoiam o independente, família ajudando a vender discos até para quem não tem perfil como público-alvo, assessroria de comunicação por conta própria, etc, etc, etc. Mas as coisas vão acontecendo e é fato. Ah e sem falar que no Rio Grande do Sul a música regional é um muro quase intransponível! Acredito na música independente como projeto de vida e principalmente como fomento à cultura brasileira. Boa sorte a Tronco, boa sorte a quem não teve sorte ainda de entrar numa produtora organizada. Fica meu desejo de saúde, felicidade e sucesso a todos!

11/02/2009
vinicius pacheco / PACHEKITOHC@HOTMAIL.COM
dalhe tronco
issae gabi issae sergio, salve salve tronco!


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