A tríade “sexo, drogas e rock and roll” está defasada, pelo menos pra mim. Depois que conheci o trio a seguir prefiro atualizá-la para “Pastelina, cerveja e camisa de flanela”! Liege Milk (bateria), Theo Portalet (guitarra) e Gabriel Lixo (guitarra) não são de exageros, ficam tocando um forró universitário e
Bebendo Socialmente em Porto Alegre. Ok, mentira, troque o ritmo citado pelo grunge, imagine que o nome da banda é
Hangovers e, vejam só, este final de semana tocam no interior paulista -- Sorocaba (dia 25), Votorantim (26) e Itu (27). Instrumentais e com nomes nada casuais, assim são as canções do EP de estréia, não por acaso também o tom da (divertida) conversa com Liege neste
Holofote. Aprecie sem moderação!
Quando a banda surgiu?
A
Hanga surgiu no meio do ano passado, 2010.
Quais são as principais influências?
Ah, bandas como Melvins, TAD, Nirvana, Sepultura, John Spencer, Fugazi, Mudhoney, Pantera, Motörhead... Basicamente o que ouvimos quando estamos juntos, que na verdade, já ouvimos a adolescência inteira e sempre nos fez pensar “um dia quero ter uma banda assim” e foi o que de certa forma nos juntou e tal.
Como vocês definem o som da banda?
A gente define como Grunge Universitário. Acreditamos no poder da palavra “Universitário”. Já que o pagode e o sertanejo universitário bombam tanto, né?! (risos).
O quê inspira vocês na hora de compor?
A quantidade de sangue na nossa corrente alcoólica (risos). O lance é: não temos nenhuma mensagem pra passar, não precisamos da música como meio de expressar os sentimentos mais delicados, não queremos mudar o mundo, e não queremos emplacar refrões pegajosos. Logo, não temos preocupação com letra... Muito menos em ter um vocalista. Somos bem amigos e convivemos bastante juntos. O que a gente faz é ir pro estúdio e descer a lenha, tocando o que vier à cabeça e lapidando quase que acidentalmente, de acordo com nossas limitações e influências pessoais. O ensaio da
Hanga é um exorcismo coletivo. A gente sempre chega em casa faceiro depois. Tipo assim: um faz um riff ou uma batida -- qualquer um dos três pode ser esse “puxador” -- e logo os outros dois seguem acompanhando o brainstorm. Essa é a palavra: brainstorm. É assim que a gente compõe.
Vocês tocam música instrumental, de onde sai a inspiração para belos nomes como “Molón e o Grunge Universitário”?
Molón é o nome de um delicioso vinho colonial da serra gaúcha, comercializado em garrafa PET de litro, que chama atenção pelo preço mais acessível no supermercado -- somos bons em eufemismo! Graças a ele, e aos porres homéricos por ele ofertados, criamos todas nossas músicas de maneira tão espontânea. Além de que, nunca tivemos tretas, é sempre tudo numa nice. Logo, dá pra se dizer que o Molón é o fundador do Grunge Universitário. Nós somos os cavaleiros do Apocalipse. Os três mosqueteiros, os três porquinhos.
E “Chico Bento Vai Ter Sua Vingança em Seattle”?
“Chico Bento Vai Ter Sua Vingança em Seattle”, “Positive Creep” e “O Senhor Está Despedido” são nomes que a gente teve que inventar na hora, pra botar no EP e pra parar de chamar elas de “música que a Li começa”, “música que o Lixo começa” ou “música que o Theo começa”... Até porque lá pelas tantas a gente começa mais de uma musica, enfim. Sei lá, sai naturalmente. É o Kurt agindo sobre nossas cabeças eu acho.
“Puta de Óculos”?
Ela existe mesmo, gamamos nela. Sempre passamos por ela quando vamos ensaiar. Vocês já viram uma puta de óculos? Ela tá sempre lá. Faça frio, faça chuva, lá está ela E DE ÓCULOS. “Eis-me a Transpirar Tal Qual um Suíno” foi o eufemismo gerado conversando com o Pocamacha (
Superguidis) durante o almoço no dia da gravação das baterias. Tava todo mundo suando feito um porco. Ficou mais requintado assim, dá mais orgulho -- e causa menos estranheza -- de mostrar pra mãe e pro pai o CD (risos).
Pastelina, cerveja e camisa de flanela ou sexo, drogas e rock and roll?
Tudo. Tirando o sexo e as drogas, porque nossos pais vão ler essa entrevista.
Quais são os próximos planos da banda?
Nós somos uns fanfarrões. Só queremos curtir a vida adoidado. A gente tem mais músicas novas. Quando entrar uns pilas a gente grava outro EP... Ou um disco. Ou uma caixa tripla com miniaturas da gente de brinde. Agora esse fim de semana teremos show no interior de São Paulo. Em Sorocaba dia 25 e Votorantim dia 26. Vai ter bandas foda como
INI,
Black Drawing Chalks e
Mugo. A gente tá mais empolgado e afim de curtir os shows e fazer festa do que preocupados com nosso show, pra dizer a verdade. Wayne's world! Party time! Excellent!
Fotos:
Mari Korman.
Produção:
Bruna Paulin.
Para ouvir e/ou baixar!
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SENSACIONAL!
Li sobre a banda na Rolling Stone desse mês, não botava fé mas conferi e achei DEMAIS! Excelente. São eles e o Black Drawing Chalks pra salvar o rock no Brasil. Será que não querem fazer uma apresentação aqui em Marília não?