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Faixa a faixa: Atletas de Fristo 15/04/2011

Disco novo do quarteto de Vila Velha, por eles mesmos!

Por: Ricardo Tibiu

Mukeka di Rato - Atletas de Fristo
Pronto, a espera acabou: o novo disco do Mukeka di Rato está no ar. Com exclusividade TramaVirtual, Atletas de Fristo é o sucessor de Carne, que saiu em 2007. Já tínhamos conversado com Fabio Mozine (baixo e voz), para dar uma amostra, no caso a faixa que deu nome ao álbum. Marcando o lançamento, voltamos a falar com ele, juntamos Sandro (vocalista) e cá estamos com um faixa a faixa nada didático, mas muito divertido. Ele ajuda a entender um pouco o ambiente do quarteto capixaba, que é completado por Paulista (guitarra) e Brek (bateria). Pronto para o triatlo? Vamos lá!


“Atletas de Fristo”

Mozine: Música que dá nome e abre o disco. Um típico hardcore style Mukeka di Rato: reto, rapidinho, tosco… Como muitos já devem saber, a temática desse disco é a violência e vários outros problemas gerados, principalmente, pelas drogas e pelo crack. Não tinha música melhor para o título e abrir o disco. É um péssimo trocadilho com Atletas de Cristo; no Espírito Santo, Fristo é um cigarro de maconha com crack.
Sandro: Essa letra não é baseada em nenhuma pesquisa científica sistemática. Depois de rodarmos quase todos os estados brasileiros e algumas regiões da América Latina, na maioria destes lugares percebemos nas ruas e através dos relatos de amig@s, a intensidade e extensão dos impactos desastrosos do uso de crack… E do uso indevido e abusivo de outras drogas ilícitas e lícitas, no cotidiano de jovens e famílias de todas as classes sociais. Uma porradinha seca na orelha, um mix de 7 Seconds véio, DFC e Dead Kennedys. Um triatlo para o inferno.

“Segredo do Túmulo”

Sandro: Eu escrevi essa letra para o Volapuque, outra banda que toco, mas nos churrascos-barrenses para produzir as músicas do Atletas de Fristo, Paulista e Mozine tinham essa base “nirvanóide” que encaixou como luva tanto na letra, quanto na temática do álbum, portanto migrou. Uma música sobre transgressão, segredos, erros e acertos, sem culpa e de cabeça erguida. Quando um rato atinge o Nirvana.
Mozine: Isso é o que o Mukeka faz quando dissemos “vamos fazer uma tipo Nirvana?!”. Na nossa outra banda, o Merda, chamamos de “Nirvana dos pobres”. Música preferida do Ricardo Mendes, que gravou o disco com a gente e umas das minhas prediletas também.

“Festa Jovem”

Mozine: Uma tentative, mesmo que falha, de ser famoso e participar da festa jovem da música brasileira recheada de débeis mentais “style” coloridos.
Sandro: É o “kitsch”, a engrenagem central da indústria cultural alienante, ou apenas a decadência da experiência estética? Ou seriam as duas coisas? Letra genial do Mozine, um lança-chamas apontado contra a imbecilização da juventude através da mídia de massas.

“Pedra”

Sandro: Na esteira da “Atletas de Fristo”, um Disrupt da favela vomitando o impetigo que tá na moda atualmente. Na minha opinião, um dos pontos mais marcantes do disco.
Mozine: Uma música que vai se intercalar com “Atletas de Fristo”. Estilão Anti Cimex! Foi engraçado mixar esse prato sendo usado como chimbal, os pratos estavam stereo, e colocamos esse mono ter mais barulho ainda. Fiz a letra de forma bem reta e tosca, parecia um artigo de jornal, e o Sandro deu uma linda lapidada nela.

“Silhueta”

Mozine: É tipo a continuação de “Pedra”, como se as duas fossem apenas uma música.
Sandro: Seguindo essa trilha: paranóia, neurose, esquizofrenia, e outras perturbações psicóticas que afetam pessoas desequilibradas pelo uso indevido de drogas. Um NOFX no talo.

“Croca”

Sandro: Mozine me ligou e pediu para escrever uma letra chamada “Croca”. Tínhamos a ideia toda, mas a letra não saía. Sintonizando a TV Cultura em casa, assisti a um excepcional documentário sobre o horror das ditaduras militares na América Latina, enfatizando as mortes, torturas e “desaparecimentos” em nome destes regimes totalitários. Depois de uma meditação com Jah na praia, e uma inspiração em Walter Benjamin, saiu isso… Que acabou virando uma das músicas mais bonitas que essa banda desgraçada já fez em sua história.
Mozine: Na gíria capixaba croca significa: quebrada, lugar inóspito. Tudo a ver com a nossa temática! Minha ideia era fazer uma riff mais rock and roll, algo parecido com Motosierra, mas na hora de executar a parada partiu para um lado completamente diferente. Será o primeiro clipe do disco.

“Lua-Cheia”

Mozine: Sem dúvida uma das minhas favoritas do disco. Com a maravilhosa participação do Felipe, vocalista do Ass Flavour, banda de death metal de Vila Velha. Essa letra era bem antiga, acho que o Sandro escreveu antes mesmo do Carne (2007), e estava perdida por aí. A primeira versão que fizemos era algo meio na linha do Misfits, sério, ainda bem que não rolou na época, pra sair dessa forma agora!
Sandro: Misfits, Replicantes e Obituary. Bata no liquidificador, e sirva. Fervendo. Chumbo derretido que pinga da lua-cheia, transbordando. Ficou foda demais a participaçao do Felipe! Acho que a letra foi escrita por volta de 2000, portanto bem antes dessa tragédia em Realengo/RJ, e era um punkrockzinho meio sem sal, que virou essa porrada aí de hoje. Ainda bem. Uma das melhores do disco.

“Pagando o Pato”

Sandro: Uma homenagem ao Maninho, um morador de rua de grande coração que vivia em meu bairro e que desapareceu sem paradeiro ou pistas. Provavelmente tenha sido assassinado e se encontraram seu corpo, classificaram como indigente. Quando fomos registrar queixa, de nada adiantou saber seu nome, ele não tinha documentos e ninguém tinha sequer uma foto sua. O retrato falado de nada adiantou até agora. O Mukeka fez uma escultura em madeira disto, e o Fepaschoal envernizou-a. Um reggae muito peculiar, mas que continua pedindo para que deem uma chance a paz. Uma das músicas mais inusitadas que nós fizemos.
Mozine: Mais uma que conta com participações no mínimo inusitadas para o público do Mukeka, porém normais pra gente. Anderson Xuxinha tocando percurssão e Fepaschoal cantando num reggae tosco do Mukeka. Na verdade, dentro da nossa história “reggaeística”, acho o menos tosco de todos. Gostei muito do vocal dele com o do Sandro. Acho que nunca fizemos algo tão diferente e, apesar de tudo, continuar sendo Mukeka. Nítida influência de The Clash.

“Marcapasso”

Mozine: É o tipo de música que levo pro ensaio e rezo pra nego falar: “Mozine, não, por favor”, mas acabou passando. Na hora nego se empolga e acaba ficando. Eu não gosto, por mim ela nem estaria no disco, mas não cheguei a cogitar isso e acho que a galera nem aceitaria. Pra não dizer que não tem nada de legal, tem o baixo meio Sonic Youth, distorcidão… Ele deu um trabalho do caralho pra gravar, cheio de pedais tudo ao mesmo tempo, muita doidêra.
Sandro: Uma letra que escrevemos sobre os passos em falso de aborrecentes vacilões, que pisam em bueiros a céu aberto. Lembra os projetos melódicos da galera do Descendents, algo da Fat Wreck Chords e Dr. Strange Records.

“Face Oculta do Inimigo”

Sandro: Essa letra é a “Voltar a Viver” deste disco. Escrita pelo Mozine, uma bela canção sobre medo, (des)confiança e margem de insegurança como condições típicas da vida em grandes centros urbanos, quando a mixofobia prevalece sobre a mixofilia. Circle Jerks revisitado.
Mozine: A verdade toda é que acho que de “Pagando o Pato” em diante, o disco vira outro. Se fosse lançado em LP e o lado dois começasse na faixa oito, seriam dois lados completamente distintos. Essa é um punk rock energético, na letra falo sobre um briga que tive com três bichos muito doidos numa madrugada em Vila Velha. Foi uma parada meio escrota e feia. No dia seguinte fiquei pensando sobre algumas consequências óbvias e bizarras que poderiam ter resultado daquela madrugada e a escrevi. Pra mim uma música que não cheira nem fede.

“Orgia de Vermes”

Sandro: Pra mim, é a melhor música do álbum, e quase passa desapercebida por ser tão curta. Algo entre Ministry e os discos nóias do Napalm, só que o Mukeka tocando né (risos). Quase budista, uma música sobre o paradeiro da morte.
Mozine: Paulista (guitarrista) queria fazer uma base tipo Melt Banana, do Japão. Gosto pra caralho dessa música, é o tipo que passa batida no CD, mas acaba sendo uma das minhas favoritas também.

“Gaiola”

Mozine: Essa letra era um poema do Sandro que saiu no encarte do Gaiola (1999), um assunto extremamente pessoal dele e de certa forma de todos nós… Ela se encaixou perfeitamente com a temática desse disco. Eu já tinha feito há mais de oito anos, bastante influenciado por Avail na época. Acho que ela tem um pouco disso, e umas partes que chamamos de “Fugazi”, que são as levadinhas. Fiquei muito feliz por ela, finalmente, ter sido musicada e lançada!
Sandro: É um ensaio poético sobre abusos de autoridade paterna e possibilidades de autodeterminação, escrito no milênio passado. Nessa época, se existisse, o Estatuto da Criança e do Adolescente seria uma piada, ou na melhor das hipóteses, papel velho pra embrulhar sabão numa mercearia fuleira nalgum cu de mundo. Ainda bem que algumas coisas se modificam com o tempo.


Para ouvir e/ou baixar!

 

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  •   19/05/2011 Gerson Santos Já tinha ouvido o cd antes mas não tinha visto essa "resenha" do disco. curti saber o porque de algumas letras como "Pagando o Pato" e "Face Oculta do Inimigo" =)
      24/04/2011 Nersaum Aíí simmmm... HC do bom.
      21/04/2011 Adeeex Parabens mozine, sandro, brek paulista e outros que colaboraram pra mais uma obra du *****, sucesso!!!
      17/04/2011 Carlos Kleyton Moura do Amaral baixado e ouvido...ficou perfeito...mukeka como sempre foi...hardcore, loucura e letras boas
      15/04/2011 Marcelo Cigoli crasse A bixo, baixando aqui
      15/04/2011 Rodrigo Dido

    Didosaur Jr.

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