Respeitado no cenário hardcore/metal, os paulistanos do
Questions seguem há pouco mais de uma década na estrada. Esse respaldo já os levou a dividir o palco com grande nomes nacionais e internacionais, como
Sepultura, Agnostic Front, Sick Of It All,
Ratos de Porão e Madball. Neste final de semana eles encerram a tour de
Rise Up, álbum de 2009, em grande estilo no Hangar 110 com o SPHC Fest e ainda embarcam em sua terceira turnê pela Europa. Antes disso eles liberaram com exclusividade
"Life Is a Fight", faixa que fará parte do novo trabalho e ainda conversam com a gente. O guitarrista Pablo e o vocalista Edu falaram sobre o quê vem pela frente, confira!
Como foi a gravação do disco novo e porque escolheram o Fernando Sanches?
Pablo: O Fernando foi a escolha natural porque nós já tínhamos trabalhado com ele no último disco,
Rise Up (2009) e gostamos muito do resultado. Desta vez optamos por fazer o disco todo no estúdio El Rocha, para agilizar o processo. A gravação rolou muito bem, apesar da correria. A gente já tinha ideia dos timbres que queria e também das coisas novas que queria experimentar, como nas músicas mais lentas. Esse EP foi um disco que a gente decidiu gravar meio rápido, então todo o processo de composição e gravação foi bem acelerado, e mesmo assim é a melhor sonoridade que conseguimos tirar até hoje!
E o Mauricio Takara (foto acima), como entrou na gravação?
Pablo: O Edu (vocalista) veio com essa ideia de termos algumas músicas diferentes, mais calmas, sem guitarras distorcidas, vozes para dar uma diferenciada na pegada do disco. Estamos ficando "um pouco" mais velhos (risos) então sentimos a necessidade de trilhar novos caminhos, não ficar fazendo sempre a mesma coisa. Convidamos o Takara pela grande experiência e bom gosto que ele tem com esses sons mais experimentais, com sintetizadores etc. Queríamos que ele adicionasse um clima, um ambiente na música. Ele pegou a ideia muito rápido, entendeu de cara o que a gente tinha imaginado! Foi uma grande satisfação contar com a participação dele.
Edu: Exatamente isso que o Pablo falou, estamos ficando velhos e no passar dos anos fomos percebendo que todas as bandas fazem a mesma coisa sempre e isto, na minha opinião, é muito chato... Com raras exceções (risos). Tem vários estilos de música que gosto e tem alguns acho que podem se encaixar perfeitamente no
Questions. São músicas que faço quando pinto alguma tela e no intervalo em que elas estão secando fico fazendo as bases e muitas delas são mais introspectivas… Mostro pros caras também, fico contente que eles acabam gostando... E também tem aquele lado nosso de remarmos sempre contra a maré!
O Questions sempre tem uma preocupação com a arte, mesmo nesses "novos tempos" onde pouca gente valoriza o CD, preferindo o download. Como vocês lidam com isso?
Pablo: Estamos provavelmente na contramão dessa cultura do download, da música descartável. Claro, por um lado é ótimo ter acesso rápido a tudo que foi produzido, para conhecer novos sons é fundamental. Mas a experiência de ter um disco físico com encarte e tudo mais, isso é outra coisa. Desta vez o CD será numerado manualmente pelo Edu, que também assina toda as artes da capa. Acho que o disco - e o livro etc - não vai deixar de existir, só vai ser cada vez mais uma coisa de valor para colecionadores. Pelo menos nós acreditamos nisso e queremos nossos lançamentos assim, "fisicamente". Não nos preocupamos se as pessoas vão copiar e baixar as músicas, pelo contrário, achamos isso bom, mas fazemos questão de continuar lançando discos "de verdade".
Edu: Este CD será o primeiro CD underground com o conceito de CD Arte, feito pra não só amantes da música, das mensagens, mas também para aquelas pessoas que, assim como eu, gostava de comprar um disco com capa caprichada, encarte, ter as informações, um poster… O EP virá numerado e assinado por todos da banda, serão feitas apenas 1000 cópias com esta temática… Para pessoas que realmente gostam do
Questions e apreciam o do it yourself!
O quê a galera pode esperar dessas músicas novas?
Pablo: O disco tem, é claro, um pouco dos elementos mais tradicionais da banda: as músicas rápidas, cruas e diretas que estamos acostumados a fazer, mas tem também algumas novidades. As principais diferenças são duas músicas com uma sonoridade menos agressiva, mais "calma". Mas a molecada pode ficar tranquila, o
Questions é e sempre será uma banda hardcore! As porradas estão lá! E com uma produção mais legal que a dos outros discos.
E os covers, segredo ou já dá pra divulgar quem foram os escolhidos?
Pablo: Podemos dizer que são dois clássicos dos primórdios do hardcore americano, dois sons que a gente já tocou algumas vezes ao vivo... Quem viu os últimos shows da gente tá ligado!
Neste domingo, dia 25, é o encerramento da Rise Up Days Tour no Hangar 110. Quem escolheu as bandas que tocarão junto?
Pablo: Essa será a décima primeira edição do nosso Festival, o SPHC Fest. Pelo menos uma vez por ano organizamos um show em São Paulo e convidamos bandas que tenham a ver com o
Questions, não só pela sonoridade, mas principalmente pela atitude e amizade.
Queria que vocês falassem um pouco delas…
Pablo:Desta vez tocaremos com o
Good Intentions, banda que sempre respeitamos e que tem muita estrada, inclusive viajamos com eles no ano passado, o que só aumentou a consideração. Tocam também o
Still Strong, uma das bandas mais foda da nova safra straight edge, assim como o Final Round. O
Bayside Kings, de Santos/SP, também é uma banda que está dando um gás na cena da Baixada… E o
Repulsa que está lancando CD também e, finalmente, teremos o prazer de ver o
Bandanos tocando novamente. São velhos amigos, inclusive o Marcelo Papa tocou no
Questions por vários anos.
Edu: São bandas de amigos, então está tudo em família, independente de sua opção na filosofia do hardcore… Respeitamos todos os estilos que o hardcore tem hoje e tentaremos sempre unir estas divergentes opções… Claro que tem as suas excecões porque ninguém é de ferro, mas o primeira opção é sempre acreditar! E quem conhece o Questions de longa data sabe que sempre tentamos unir, apesar de tudo!
Dois dias depois deste show vocês embarcam pra Europa pra fazer uma tour de 17 shows por lá. Quais são as expectativas?
Pablo: São as melhores possíveis. A gente já fez duas tours por lá e a receptividade em todos os países por onde passamos - mais de 20 no total! - sempre foi ótima. Iremos novamente para alguns lugares que gostamos muito e fizemos shows memoráveis, como na Rússia e na Grécia. Vamos também para a Moldávia, que confesso que nem sabia direito que existia! E também para a Turquia, outro país que achava que dificilmente iria na vida. Viajar com a banda é uma experiência única, algo que lutamos durante anos para que rolasse com a gente, por isso damos muito valor. São essas viagens que nos motivam a continuar seguindo na luta, pois a sensação de você conhecer um lugar novo, com costumes e cultura às vezes completamente diferentes dos nossos, é muito valiosa. E ainda mais porque temos a oportunidade de fazer isso como banda, ou seja, mostrando o nosso som e nos relacionando com as pessoas de uma maneira muito mais legal do que um simples turista. Do hardcore nunca tiramos grana, mas sim uma satisfação pessoal que nem teríamos como pagar!
Edu: Assino embaixo em tudo que o Pablo disse! (risos).
Para ouvir e/ou baixar!
Comente