O Carnaval tá aí, com muito samba, certo?! Errado, pelo menos no que depender de
Mestre-Sala e Porta-Black Flag, segundo álbum da
agremiação Halé. Estes cariocas não vão pra Sapucaí, o desfile deles é underground, a TV não passa, o rádio nem sabe da existência, enfim, a mídia simplesmente ignora. Isso não quer dizer que Perninha (voz), Gustavo (baixo), Vitor Pirralho (guitarra) e Maurinho (bateria) não entram na avenida sem buscar a nota 10.
Do título com o trocadilho genial às alegorias, ops, à arte, assinada por Daniel ETE (da Escola paulista
Muzzarelas), tudo exala ironia. O disco foi gravado no renomado Toca do Bandido, tendo mixagem de Jorge Guerreiro (Pitty, Matanza, Dead Fish) e produção e masterização de Leonardo Medeiros.
Conforme Mauro me explicou, foi tudo captado (em cerca de cinco horas) com todos tocando ao mesmo tempo em canais separados, o quê sem dúvida refletiu a essência e energia ao vivo do quarteto que teve a participação de Valcimar Lucas, vocalista do Ataque Periférico.
É impressionante como o
Halé manteve a malemolência de
Lixo Extraordinário (2007), ainda que tiveram uma evolução do tamanho do
“Godzilla”. Parece contraditório dizer isso e ao mesmo tempo garantir que continua o hardcore maroto de chinelo de dedo de sempre.
“Minha Doce Vida No Lixão”,
“Música Idiota”,
“Saco de Bosta” e
“Plantou Mamão e Colheu Um Bananão” mostram isso.
Sarcasmo sempre, humor quinta série nunca. Na faixa que deu nome ao álbum é narrada uma história de amor onde o casal frequenta shows de hardcore e rodas de samba, ouvindo clássicos de
Cartola e
Ratos de Porão.
“Cento e Setenta e Um”,
“Deu Zebra No Jogo do Bicho” e
“Laiá lá lá iá” têm aquela pegada Bezerra da Silva de malandragem, mas com aquele tempero Unidos de Vila Velha do
Mukeka di Rato. Fastcore favela tipo exportação,
sacoé?!
Mestre-Sala e Porta-Black Flag é indicado pra quem tem irreverência, gosta de música rápida e aprecia um barulho… Tendo samba no pé ou não! Um recado pra quem não gostar:
“Chora Cavaco!”
Para ouvir e/ou baixar!
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