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As várias bandas de Diego 01/01/2001

O gaúcho divide sua criatividade entre três projetos solos e cinco bandas, todas diferentes entre si

Por: Flávio Seixlack

Muitos reclamam da falta de condições para compor, outros nunca conseguem achar o melhor momento para criar ou algo para se inspirar. Enquanto isso, o gaúcho Diego Wagner Poloni divide sua criatividade em diversos projetos, cinco deles presentes na TramaVirtual. Sejam mais experimentais ou mais diretas, as músicas de Diego são sempre carregadas de sentimentos.

Diego começou a tocar há 11 anos. Influenciado pelo pai, violinista clássico e guitarrista de rock, ele aprendeu a tocar violão com estilos bem diferentes do que se ouve hoje em sua música. “Eu era um skatista metaleiro, curtia Sepultura e Skid Row, e queria ter uma banda pra tocar as minhas músicas. Ganhei minha primeira guitarra aos 14 anos de idade e já tinha um monte de músicas prontas”, lembra.

Com o instrumento e um monte de idéias na cabeça, Diego chamou alguns amigos para montar a primeira banda. Daí pra frente, suas projetos passaram por gêneros variados, de hardcore e punkrock a jazz e dub. Atualmente, o músico divide seu tempo entre cinco bandas e três projetos solo.

Canções de Saudade da Fe talvez seja o mais intimista deles. “Tarde na Varanda”, única música presente no site, remete à sensação do compositor pouco tempo antes de deixar sua namorada e voltar para Porto Alegre. “Eu passei a minha última tarde em São Paulo, em fevereiro, com ela, na varanda de seu quarto. Quando voltei pra casa do meu pai pra arrumar as malas, aproveitei que faltava bastante tempo pra ir e resolvi gravar alguma coisa pra tirar aquela sensação de ‘despedida’”, conta Diego.

As músicas, que a princípio seriam secretas, hoje são escutadas por Fe antes de qualquer outra pessoa. “Até inventei umas histórias para o caso de alguém descobrir, tipo que na verdade não é Fê, é fé, ou que a Fê foi a stripper que tirou a minha virgindade”, diz o compositor, que pretende gravar uma música sempre que for a São Paulo encontrá-la.

D., outro projeto de Diego, também surgiu por acaso. Em uma tarde de janeiro, na casa do pai em São Paulo, chovia forte e, por não poder sair de casa, o músico começou a gravar de improviso. Daí saiu “Chuvinha de Fazer Amor”. Em D., Diego trabalha com sensações, surgidas a partir de pequenos detalhes, como podemos perceber em canções como “Cafuné / Boa Noite” e “Bolo da Vó”. Ao invés de disponibilizar as letras das músicas em sua página na TramaVirtual – mesmo porque são, em sua maioria, instrumentais -, o músico colocou no ar descrições das sensações que provocaram a composição dos temas.

O mais antigo dos projetos é o Supergoo. Com um estilo mais experimental, as músicas são mais pesadas e densas, influenciadas pela ficção cientifica e desenhos futuristas, como Cowboy Bebop e Aeon Flux. “O Supergoo tem melodias mais sombrias, mais tristes, justamente pela proposta de serem canções sobre a vida moderna e sua falta de emoção, de contato pessoal, sobre a alienação, enfim, sobre todas essas desvantagens da sociedade da era dos computadores e da violência urbana”, explica Diego.

Entre as bandas das quais faz parte, o My Soundtracked Life deve lançar disco no segundo semestre desse ano, e a Social, antigo grupo do músico, terá as músicas mixadas em breve. Ainda há tempo para a Renato Mendes, de grindcore, e a Riffs From Hell, de rock’n’roll instrumental. Fora as bandas, Diego nunca se apresentou com um de seus três projetos solo, mas já começou a recrutar amigos em Porto Alegre para uma apresentação da D. em breve. Por outro lado, um show da Supergoo por enquanto é apenas uma aspiração, já que o projeto é o mais complicado para o formato de show.

Diego diz que nunca teve a pretensão de lançar seus projetos por algum selo, uma vez que fica constrangido só de pensar em vender sua música. “A posição que eu tenho em relação à música é de que ela é um meio de expressão, é ali que eu me comunico com o resto do mundo, não tem nenhum fim lucrativo”, diz. Mas os constantes pedidos de CDsrecebidos por e-mail podem fazer com que o compositor mude de idéia. “Acho que eu vou acabar fazendo um disco, independente mesmo, com essas músicas e com uma arte legal pra vender por aí”.

Para 2005, além de produzir diversas coisas, como a banda Ego., de seu irmão, Diego pretende gravar músicas da D. o quanto antes, e acordar a Supergoo no fim do ano, com novas faixas. Com o Canções de Saudade da Fe, músicas novas só na próxima viagem a São Paulo. Enquanto Diego não lança nada em CD, a TramaVirtual é o melhor lugar para ouvir seus projetos. “Pretendo lançar tudo que gravar com esses projetos aqui mesmo na TramaVirtual e, conforme for a reação das pessoas, posso lançar em disco também. Quem sabe procurar um selo”, diz.

 

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