Final de julho e começo de agosto costuma ser uma temporada bem agitada no cenário musical cearense. No meio de tantos eventos, eis que surge um novo festival cuja premissa principal é promover a produção independente de Fortaleza. Sem grandes segredos, bastou pegar fórmulas vencedoras de festivais como Abril Pro Rock (PE), Mada (RN) e Goiânia Noise Festival (GO), enfrentar as limitações, burocracias e riscos comuns a algo desse porte e, pronto, eis que surge o Ponto.CE Festival. Com palco montado na Praça Verde, amplo espaço aberto do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, 14 bandas se apresentaram nos dias 4 e 5 de agosto, cada noite com cinco grupos cearenses abrindo para dois de fora.
Na sexta-feira, dia 4, o festival teve início com praticamente duas horas de atraso. A banda 9mm, no entanto, falhou na missão de aquecer quem já adentrara no local. Tocaram três covers (sendo duas do Rappa), mas mesmo suas músicas próprias não mostravam muita inspiração. Já o Monophone, que veio em seguida, mostrou boa qualidade em suas composições (claramente inspiradas no Radiohead da fase do álbum
The Bends), mas ainda carece de mais presença ao vivo. Grande parte do público parecia não se importar e já se mostrava um tanto disperso.
Foi preciso que a banda seguinte,
O Sonso, comandada pelo comunicativo vocalista Daniel, pedisse para a platéia se levantar, literalmente. E foram atendidos, em uma apresentação contagiante que provou que mesmo uma proposta mais pop poderia ser bem recebida por um público sedento por rock. A empolgação continuou com a banda seguinte, a Radio Illusion, que toca um ska bem agitado, com direito a uma versão bem bacana de “Walk of Life”, do Dire Straits. Foi quando se iniciaram as rodas de pogo e os moshs que ainda dariam dor de cabeça para a produção naquela noite. Tanta animação frustrada em apenas 19 minutos de show.
A experiente
2Fuzz, já promovendo o seu segundo álbum,
Limen, provocou uma reação mais compenetrada por parte do público, que aplaudiu bastante tanto nas músicas novas quanto nas antigas. Apesar da qualidade do som um tanto embolada à medida que nos distanciávamos do palco, foi uma apresentação impecavelmente executada e com excelente iluminação de palco, mostrando um nível profissional bem acima da média para um grupo independente local.
Os paulistas do
Forgotten Boys, então, mal começaram seu show e o público voltou a subir no palco para dar moshs. Era o mínimo que poderia se esperar de reação da platéia para uma das mais aguardadas atrações da noite. O problema é que certos garotos abusavam e passavam muito tempo dançando no palco, enquanto parte da equipe da produção tentava, meio desajeitada, retirá-los dali sem provocar acidentes. O certo é que o rock desse quarteto (contando com a participação do baixista Marcos Gerez, do
Hurtmold) pode ser básico, mas é mesmo muito empolgante.
Com o fim do show dos paulistas, uma multidão de fãs já ficou de prontidão aguardando o Dead Fish, do Espírito Santo. A violência sonora desses capixabas ao vivo surpreende quem pensa que fazem a mesma linha de outros grupos nacionais de hardcore que também estão em evidência na mídia. O vocalista Rodrigo, com sua performance ensandecida, incitou o público a agitar sem parar e enormes rodas de pogo se abriam a cada música. No palco, houve momentos com tanta gente dando mosh que ficava difícil identificar alguém da banda. Rodrigo pediu calma, para que ninguém viesse a se machucar. Depois de mais de uma hora de apresentação tão intensa, a primeira noite do Ponto.CE se encerrou (às 3 da manhã) com um clima de cansaço geral, mesmo para aqueles que tentaram poupar energias para o dia seguinte.
No sábado (05/08) então, já era notável uma maior preocupação com horário por parte da produção, mas o público simplesmente demorava em chegar. A Et Circensis então teve a dura missão de tocar seu bem executado rock clássico, cantado em português, para uma platéia assustadoramente pequena. Já a
Plastique Noir conseguia chamar bem a atenção daqueles que então adentravam no local. Seu rock gótico, na linha de grupos como Joy Division, com uso de bateria eletrônica e sintetizador, causava um estranhamento inicial, mas a boa apresentação garantiu muitos aplausos.
A
Capones veio em seguida e fez a festa, literalmente, com seu empolgante punk rock bubblegum. Não somente foi o show mais divertido do evento, com a banda brincando entre si e com o público, como demonstraram entrosamento perfeito com o duo de metais que os acompanha ao vivo. A
Triarchy, em seguida, parecia completamente deslocada com seu gothic metal, demasiadamente arrastado para animar um público que, definitivamente, não é o tradicional pro estilo.
Então a
Switch Stance não precisou de grande esforço pra reanimar a platéia, já em grande número, porém claramente inferior ao de sexta. Com um público fiel que tem todas as músicas na ponta da língua, a banda fez uma bela demonstração do porque é tão bem comentada fora de Fortaleza. Ótima presença de palco somada a boa qualidade do som da noite garantiram uma das melhores apresentações da noite. O vocalista Maurílio agradeceu em nome da produção do evento e novamente alertou sobre os moshs, embora a garotada estivesse realmente mais cautelosa.
A
Aditive, de São Paulo, peca por talvez soar inofensiva demais. Seu hardcore melódico empolgou alguns fãs adolescentes, mas não pareceu provocar reação alguma a quem não conhecia o grupo. Muita gente aproveitou para curtir as barraquinhas de comidas e bebidas espalhadas pela Praça Verde.
A responsabilidade em encerrar a primeira edição do festival ficara nas mãos do Ludov (SP), que mostrou seu pop-rock de grande qualidade. Colocá-los como a grande atração da ultima noite foi uma escolha feliz, já que eles não desanimaram em momento algum, mesmo com um público um pouco abaixo das expectativas. O quinteto comandado pela vocalista Vanessa Krongold esbanjou simpatia e honestidade, e a resposta da platéia veio no mesmo nível, com muitos fãs concentrados na frente do palco pulando e cantando a cada música executada. O final, com direito a bis, foi um agradecimento em conjunto com a produção do evento, todos cientes que apesar das dificuldades, essa primeira edição do Ponto.CE Festival foi um sucesso e promete muito para o futuro.
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Concordo com o Diego Castro
Persistem no cansativo Hardcore... Boas bandas na cidade mereciam ser aproveitadas...O Sonso
com certeza o melhor da noite. O show mais empolgante, o mais vibrativo, guitarras frenéticas, massa! demais!Festival
Aê galera estão todos convidados para vir curtir um evento na Zona Norte de Natal, dia 9 de setembro, no GEMAC (proximo ao Carrefour zona norte) com seis bandas (Zero8Quatro, Allface, Decreto Final, Bode Rocco, Comando Etilico e Falange). Os ingressos custam 3 reais mais um quilo de alimento. Compareçam!!!VÁLVULA-CE
VÁLVULA-CE também está na Trama Virtual ! http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=37399 http://valvula.vilabol.com.brMonophone e Radio Illusion
Já tinha pedido para incluirem o link das 2 bandas, devem atualizar o artigo em breve! Valeu!A Banda Monophone
Também esta no Trama Virtual. http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=42622Radio Ilusión tb no trama
http://www.tramavirtual.com.br/radio_ilusionO melhor da Noite
Concerteza Forgotten Boys foi o melhor da noite... talvez melhor do festival!!!! Pena que os festivais daqui ainda investem no cansativo hardcore melódico. Se houvesse interesse, as boas bandas de indie, alternativo, rock´n roll poderiam ter sido aproveitadas no festival. Pena que isso continue.