1,5 cm x 1,5 cm. Mesmo tão pequeno, aquele quadradinho que aparece ao lado das músicas em nosso site é o que pode deixar tudo mais bonito. Selecionamos algumas das capas mais legais que apareceram por aqui este semestre e convidamos a primeiro plano seus responsáveis.
Apanhador Só,
Apanhador Só (Independente) - Este é um caso especial. Além da linda capa que faz menção à bicicleta-percussão que acompanha a banda em palco, este disco traz um encarte recheado de cards com letras de um lado e ilustrações de
Fabiano Gummo do outro. Coisa fina de verdade que vale comprar e guardar na coleção. O projeto gráfico é de
Rafa Rocha, que também fez as
fotos:
Como conheceu a banda?
Conheço a banda há um bom tempo, desde a época do EP
Embrulho pra levar. Acho que a primeira vez que ouvi eu já gostei, logo de cara. E por trabalhar na
Noize, esse caminho fica mais curto.
Como foi o processo de criação?
Foi bem tranquilo, fiz várias reuniões com o Alexandre e com o Fabiano Gummo e, com certeza, escutei o disco no mínimo umas 70 vezes! O engraçado é que eu tinha uma ordem cronológica diferente da master final, o que deu um toque um pouco mais maluco para a minha interpretação. A ideia de fazer um projeto elaborado, com vários cards e brochuras, veio do que a banda representa pra mim e do próprio som que ela faz, cheio de nuances e estéticas diferentes, que vão do rock à MPB, com um monte de coisa bacana no meio. Então foi bem natural querer usar fotografia, ilustração e o computador para amarrar isso tudo.
Qual sua música favorita do disco?
Gosto muito da
"Um Rei o Zé", que abre o disco, mas a preferida é a
"Bem-me-leve", que é uma composição fantástica. Na real sou fã pra caramba deste disco inteiro.
Peninsula Fernandes,
Malta (Cloud Chapel) Esta capa foi resultado de uma parceria entre amigos de música, arte e cerveja.
Pedro Moreira (
Keng Panang/
Leão) conversou com a gente:
Como você conheceu o Peninsula Fernandes?
Conheci o Peninsula Fernandes ao mesmo tempo que o Peninsula Fernandes surgiu, eu já era amigo do Daniel antes do Peninsula existir e observei o processo desde as primeiras músicas. Toquei com o Daniel em uma banda que tivemos com Stan Molina e Thiago "Lirão" Serra, O Departamento Celeste, além dele me acompanhar na minha carreira solo
Leão.
Como foi o processo de criação?
Eu já tinha as músicas antes do lançamento do disco e o processo veio dessa forma: fiz alguns estudos, mostrei para o Daniel e a concepção final da capa veio das nossas conversas depois de uns dois ou três testes. Ele até ia pagar a aquarela que eu comprei para pintar a arte, mas acho que eu estava devendo cerveja para ele, então ficou por isso mesmo.
Qual sua música favorita do disco?
Minha música preferida no momento é a faixa
“Heróis de 32”, que é uma das músicas que ele chama do estilo "lindinha".
Volantes,
Sobre gostar e esperar (Independente) - Esta é a capa do EP que pede para ser escutado. Um gramado iluminado com a luz do amanhacer/entardecer e três lindas garotas. Na verdade uma só: a modelo Débora Ahrens. As fotos foram realizadas por Dani Lacet na Estância Província de São Pedro no RS, estado natal do Volantes. O projeto gráfico é do próprio vocalista
Arthur Teixeira:
Como surgiu a ideia de cuidar da arte do disco?
Sou apaixonado por design e vi na arte disco a chance e o desafio de fazer uma peça que pudesse virar história. Mergulhei a fundo em pesquisa de fotos e tipografia.
Como foi o processo de criação?
Queria algo que trouxesse o conflito, o unilateral e a esperança que carrega o disco. Ao mesmo tempo, precisava do sarcasmo e sensualidade de
“Um Pouco Disso”. Estávamos em “brain” havia semanas, foi um processo cansativo. Quando dei a ideia das meninas, a banda comprou na hora.
Tem alguma música em especial que fez parte deste processo de criação?
Acho que a capa tem esse caráter coletivo de sentimentos, como o disco. Pode se ver ali uma abordagem diferente para sentimentos que estão na essência das músicas. A indecisão, a indefinição e a expectativa dos relacionamentos, tudo isso está ali.
D Mingus,
Filmes e Quadrinhos (Pé-de-Cachimbo Records) - Mais uma vez foi dada uma parceria entre amigos. Neste caso, mais que amigos. Domingos Sávio e Matheus Mota são vizinhos em Recife e seguem agitando a cena cultural da cidade. Além de seu projeto solo,
Matheus Mota se envereda pelo mundo da arte gráfica e do cinema. Fez a ilustração deste disco onde também toca piano Rhodes e canta em uma das faixas:
Como você conheceu o D Mingus?
Na verdade nos conhecemos no final de 2008, quando alguém nos apresentou no show de uma banda de amigos. Eu precisava de um flautista e alguém disse "esse cara toca no
Monodecks, chama Domingos!". Mas não mantivemos mais contato até outubro de 2009 quando lancei meu EP
Volta ao mundo de bicicleta. Ele então me contactou dizendo que gostou bastante do trabalho. Nessa época, eu havia me recém mudado pro bairro do Derby (zona central do Recife) e descobrimos que morávamos uns 50m do outro. Começamos a nos reunir, gravar, trocar ideias e começou a parceria.
Como foi o processo de criação?
Domingos é fã de ilustração infantil (eu também), e ele me mostrou um desenho intrigante ilustrando o conto do Soldadinho de Chumbo, um peixão gigante se aproximando do boneco, que confinado na sua condição de objeto, não poderia nadar e fugir do peixe que o abocanha em algum trecho da história. Como já conhecia meus desenhos e capas, não lembro se ele perguntou se eu não podia fazer ou eu mesmo me ofereci, mas ele disse que queria algo relacionado ao desenho do soldadinho, que eu ficasse bem livre. Fiz, obviamente, uma versão bastante irônica da realidade dos famosos tubarões assassinos da cidade, enfatizando uma expressão de desespero do boneco, coisa que eu sentia falta no desenho original. Fiquei bem livre, fiz o desenho em mais ou menos 3 horas e mostrei pra ele, que adorou.
Qual sua música favorita do disco?
“Alien Morricone Strikes Again”, que por sinal ficou demais num show dele.
Guizado,
Calavera (Álbum Virtual/Trama) A arte deste disco pode ser apreciada por completo em nosso formato
Álbum Virtual. O frontman Guilherme Mendonça abraçou a concepção da identidade visual que conta com fotos de Patrícia Araújo e design gráfico de Renan Costa Lima e foi marcada pela ideia de ramos. A convidada para fazer a capa, a artista
Fefe Talavera com quem Guilherme compartilha raízes mexicanas, falou com a gente:
Como você conheceu o Guilherme?
Pelo Facebook.
Como foi o processo de criação?
Pedi pra ele me mandar algumas músicas e algumas palavras soltas que ele achasse que tinha a ver com o disco, daí surgiu o que fiz.
Qual é sua música favorita do disco?
"Amplidão".
+ 3
Textos por Regiane Ishii
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