
Depois das férias em Recife,
Stela Campos voltou a São Paulo direto para um
Ensaio na
TV Trama. Acompanhada de Vinicius Pardinho, Missionário José e Clayton Martin, o grupo tocou junto depois de um intervalo de três meses. Não perdemos a oportunidade e fizemos uma visita ao estúdio. Descobrimos quatro projetos novos e fomos embora com a sensação de que com meia hora a mais de papo, outros tantos iriam surgir.
Depois do ótimo
Mustang Bar, Stela Campos e seu marido-parceiro Luciano Buarque planejam lançar ainda este ano mais um single e um disco duplo com as melhores da carreira (
Retrovisor). Também está para chegar uma coletânea de canções folk em inglês (
Dumbo). O casal não pára de produzir: “A gente namora desde 1997 e ele ainda lembra de uma fita que a gente gravou lá atrás e volta a trabalhar nela. Temos um trabalho de resgate de nós mesmos. Tenho 43 anos agora e só vamos parar quando não tivermos mais nada para dizer”.
Sua última entrevista a Trama Virtual tem mais de um ano. O que aconteceu desde então? Como tem sido este ano?
De lá pra cá nós fizemos muitos shows.
Mustang Bar foi o disco em que fiz mais shows. Teve um grande, o Recbeat em Recife, e muitos shows seguidos em São Paulo e arredores, o que deu uma consistência para a banda. A gente também lançou alguns EPs com singles do
Mustang Bar junto com material inédito. Coisas “baú” ou que andei fazendo. Foi uma oportunidade de divulgar material sem precisar esperar disco. Meus discos têm essa coisa conceitual e os singles podem ser jogados de forma dispersa, foi um ano muito produtivo.
Acabamos de gravar um clipe para
“Mustang Bar”, dirigido pelo Pedro Palhares, que vamos lançá-lo este semestre junto com mais um single. Tivemos o
Laura Te Espera com uma Arma na Mão, o
Brand New Robots, o
Ligia Hello Kitty e agora, o último,
Mustang Bar, com quatro inéditas.
É verdade que você não pensa em lançar disco físico?
Estou um pouco desanimada com disco físico. Vou explicar melhor, eu acredito muito no formato disco, conceito, músicas, capa. Coleciono discos, gosto de LP, gosto de CD, adoraria que meu disco tivesse saído em LP, mas sairia muito caro. Para mim e para o Luciano abandonarmos de vez o disco é uma luta. Eu disse isso, mas confesso que estamos cheios de ideias. Adoro baixar música em MP3, mas acho que as pessoas prestam pouca atenção nas bandas por não escutarem discos. Por exemplo, é muito fácil ouvir 30 segundos de uma música, não gostar e ir pra outra. Às vezes é preciso ouvir uma música quatro vezes para que ela se torne sensacional.
Para agora estamos reunindo as melhores músicas numa coletânea que vai chamar
Retrovisor. Disco duplo apenas em versão virtual, no capricho. Tudo bem pensado, de graça e no site. A gente demora muito de um disco para o outro, são três, quatro anos de intervalo desde 1999, então para quem está conhecendo agora vai ser legal.
Vocês também têm muitas músicas que as pessoas nunca vão conhecer?
É o que mais tem. Sou uma pessoa muito autocrítica e Luciano idem. Pretendemos gravar um disco de músicas que a gente precisa se livrar, que nos acompanham desde 1998. Este disco vai chamar
Dumbo porque é formado por músicas órfãs e também vai ser virtual. Gravamos uma coisa com o Adriano em Recife, meu guitarrista parceiro lá do
Céu de Brigadeiro. Estas são todas em inglês, “dumbinhos”. Nossa sobrinha de 10 anos já está trabalhando na capa.
Você têm voltado sempre pra Recife?
Fazia 10 anos que eu não tocava em Recife e fomos agora ao Recbeat. Depois de muito tempo, acabei de voltar de quinze dias de férias por lá. Recife é inspiradora, tem muito de minha história lá, de descobertas musicais. Estava tentando entender porque Recife é uma cidade tão convidativa. Aquela claridade, isso me lembra tudo do mangue, do Chico, dá para entender.
O que de melhor na música você viu este ano?
Escuto tanta coisa diferente... Uma descoberta tardia para mim é The Kinks, mergulhei mesmo. Ray Davies entrou no mesmo nível de Lou Reed. M.I.A., o penúltimo dela é sensacional, o último só ouvi os singles. Ela é uma das coisas mais modernas que tem por aí, adoro mesmo. A participação dela no David Letterman é demais. Sempre ouvimos Beck, que tem uma produção extra-oficial até melhor e que na minha casa é quase Deus. No Brasil,
Supercordas,
Laura Wrona,
Juliana R., Cidadão Instigado...
Você não é muito de redes sociais né?
Eu não tenho tempo. Trabalho das dez da manhã às nove da noite. Sou jornalista de economia, nem posso entrar em redes durante o dia. Chego em casa e não quero ir pro Facebook. Quero tocar, ver filme, ficar com meu filho.
E a cena de São Paulo?
Saio muito quando eu mesmo toco. Por sorte podemos tocar com gente que gostamos. Muitas pessoas também vêm nos visitar e começamos com um projeto: todos os amigos músicos que passavam pela nossa casa gravavam o que elas queriam num quarto escuro com um sample que o Luciano deixava tocar. Passaram Léo Monstro, Laura Wrona... É uma balada interna, um mundo paralelo... Música no quarto com nível alcoólico bem bom. Não paramos de ter ideias de projetos.
Foto de capa: Davilym Dourado
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