Atuando ativamente no cenário independente nacional há pelo menos duas décadas, este ano Nenê Altro (em foto de:
Sueliton Lima) resolver ir além. E com a parceria de Alemão (Hangar 110) e Wlad (Zona Punk), criou a Semana da Independência, onde de 06 (segunda-feira) a 12 (domingo) de setembro a capital paulista ouvirá gritos de independência todos os dias. Punk rock, hardcore, ska, crossover, pop punk, enfim, eles virão dos mais variados gêneros. Conversamos com o vocalista do
Dance Of Days e
O Mal de Caim que nos falou mais sobre o festival.
De onde veio a ideia de fazer a Semana da Independência?
Bom, eu organizo festivais desde sempre. Em 2002, organizei com o Hangar 110 o festival Rock Em Sampa, 25 bandas sabe, foi o primeiro grande festival independente que rolou unindo as bandas punks clássicas de São Paulo com a nova cena. Aí de uma conversa de bar com o Wlad, do Zona Punk, estávamos falando da necessidade de resgatar esse espírito independente e surgiu a ideia da Semana Da Independência, ligamos pro Marcão, do Hangar 110, ele topou e organizamos tudo em praticamente uma semana.
Qual foi o critério na escolha das bandas?
Bandas antigas que não foram assinadas por gravadoras e bandas novas com a atitude de manter a coisa viva.
Sei que todas as bandas têm seu peso no festival, por isso foram escaladas, mas quais você diria que são os destaques da programação?
Cara, cada dia tem o seu perfil, mas fiquei bem feliz com muitas bandas abrindo mão de seus cachês integrais e tocando pelo espírito mesmo, como
Garage Fuzz,
Hateen,
Zumbis do Espaço,
Rancore,
Dominatrix... Bandas que estão nessa faz um tempo e que abraçaram a ideia e a proposta da Semana.
Além dos shows no Hangar 110 haverão festas e outras apresentações no Outs. Como foram divididas essas atrações?
A ideia é misturar o público da noite de São Paulo com o que frequenta apenas os shows de hardcore que acabam mais cedo. O lance mais legal foi o de todo mundo que comprar ingresso para os shows do Hangar 110 ganhar a entrada VIP para a festa que rola na sequência no Outs. Tentamos colocar coisas diferentes no Outs, um dia mais grind, outro de bandas femininas, um de ska, outro alternativo... E todos com o espírito independente.
Apesar de ser a primeira edição da Semana da Independência, a intenção é mantê-la no calendário de festivais independentes no Brasil?
Sim, mas acima disso que sirva de exemplo e que todos envolvidos comecem a organizar mais e mais festivais em suas cidades. Queremos dar um empurrão e mostrar a todos que não estão sozinhos e que a cena independente está aí, sempre esteve e sempre estará enquanto existirem pessoas interessadas em
do it yourself.
No dia 07 de Setembro ao invés de shows haverá a Feira da Independência no Hangar 110 com venda de materiais independentes, incluindo fanzines. Você acha que falta espaço para este tipo de troca de informações?
Sim, com o passar dos anos e o advento da internet a comunicação e o intercâmbio ficaram mais artificiais. Fanzines de papel praticamente sumiram. Queremos com esse dia mostrar que não é porque se convencionou que “os tempos mudaram” e que o “DIY já era” que isso realmente tenha acontecido. Não aconteceu, temos bandas, selos, fanzines e muita gente com vontade de manter a coisa viva. E a ideia dessa feirinha é a de mostrar isso na prática, com coisas palpáveis e concretas.
Nesta ocasião também vai rolar duas exposições, uma fotográfica e uma de vídeos no telão, além de um show acústico com o Redson (Cólera) e intervenções artísticas do coletivo SHN. Será que não deveríamos ter mais vezes este tipo de formato?
Definitivamente. É preciso mudar essa ideia de que a cena independente tem só a ver com música. Não tem. É algo muito além disso. É uma atitude individual e uma ofensiva contra-cultural, independente dos gostos e estilos de cada segmento.
Aproveitando a entrevista, Nenê, não posso deixar de te perguntar qual tem sido a resposta que vocês têm tido com o “disco preto” desde que o Dance Of Days o colocou pra download na TramaVirtual?
Então, seguindo esse mesmo raciocínio, o “disco preto” acordou muita gente que pensava que o
Dance Of Days era apenas uma banda musical. Quando pensamos em fazer um disco que mostrasse mais nossas raízes eu desenvolvi toda a ideia de argumento em cima de transparecer uma postura clara e que não desse margem a interpretações duplas. É um tapa na cara por música. E estou bem satisfeito com o resultado, com a resposta do público e das bandas com quem dividimos os palcos.
Aliás, O Mal de Caim já tem um perfil, mas quando é que teremos músicas de sua outra banda, a Total Terror DK, na TramaVirtual?
Acabamos de lançar o “disco preto” do Dance e eu já embarquei na organização desse festival e na retomada de meu selo independente, só que com outro nome agora,
Anti Reckordz. Quero entrar em estúdio com o Total e gravar um disco full-length. Mais desbocado e cínico também. Como fazia com o
Sick Terror. Em breve!
Voltando à Semana da Independência, vocês já pensaram em fazer uma versão itinerante que possa rodar por aí neste mesmo formato, quem sabe numa versão condensada?
Sim, sim. Mas uma coisa por vez. Em janeiro rola a Tour do Zona Punk, que já é tradicional, então o Wlad vai estar totalmente focado nisso. Tem muitas coisas pra se colocar no papel. Penso em fazer as coisas com calma. Com urgência, mas com calma (risos).
Pra finalizar, você que está envolvido no cenário independente há pelo menos duas décadas, o quê ainda te mantém ativo nessa?
Não sei fazer outra coisa de minha vida.
Valeu Nenê, fique à vontade para deixar um recado pra galera!
Mantenho
um blog no Wordpress onde todos podem saber dos festivais e lançamentos de meu selo e também entrar em contato comigo, ler meus textos etc. Quem quiser conferir
é só acessar! Obrigado Tibiu e TramaVirtual. Somos parceiros do portal desde o comecinho e, apesar de não fazermos parte de panelas indies estamos aí no nosso corre e vivendo do que mais gostamos de fazer: música. Abraços!
Clique aqui para conferir a programação completa.
Comente