Há 14 anos em atividade, o
Carbona virou uma instituição do bubblegum nacional. Provavelmente todas as bandas brasileiras do estilo que vieram depois dos anos 90 citam o quarteto como influência. Calcada na base Ramones mais Lookout! Records (lar de Screeching Weasel, Riverdales e The Queers), além de cinema e quadrinhos, a sonoridade gruda nos ouvidos e estoura na boca: impossível não cantar junto ao menos um refrão! Os cariocas acabaram de disponibilizar seu novo álbum,
Dr. Fujita Contra a Abominável Mulher-Tornado, para download gratuito e no próximo sábado (dia 02/10) eles fazem o lançamento em São Paulo, no Hangar 110. Antes disso eles soltaram uma canção inédita,
”Fogueta”, no perfil TramaVirtual e conversamos com o guitarrista/vocalista Henrique Badke, confira o papo!
Sempre que penso no Carbona me vem à mente a imagem do trio. Foram quanto anos nesse formato?
Doze anos como trio, dois anos como quarteto e assim seguiremos! Costumo brincar dizendo que o
Carbona faz a mesma coisa conseguindo mudar sempre que necessário.
Quando foi que vocês perceberam que era hora de virar um quarteto?
Mudamos duas vezes: uma quando lançamos nosso primeiro disco em português e outra quando colocamos mais um integrante na banda. Nestas duas ocasiões conseguimos renovar a motivação e buscar incentivo para seguir em frente tocando. O desafio de cantar nosso universo criativo em português e um novo guitarrista foram momentos de reafirmação da vontade de seguir fazendo nossa música. Muitas pessoas acharam que com um novo guitarrista a banda iria tomar outro rumo e curiosamente ela voltou às origens. Fizemos um disco básico, revisitando os primeiros dias de banda só que 14 anos depois, com toda energia que um novo integrante trás. Bjorn chegou produzindo disco, com liberdade pra criar e ficamos muito felizes com a nova formação.
Aliás, com esse nome gringo onde vocês “acharam” o Bjorn Hovland?
Bjorn Hovland foi encontrado pelas ruas do Rio de Janeiro (risos). Ele é o fundador da banda de surf music
Go!, foi guitarrista da Erika Martins, tocou na
Big Trep, produz músicas no quarto, trabalhou em estúdios do Rio e foi escolhido porque gosta de rock. Viajamos juntos pra Belo Horizonte uma vez o
Carbona como trio e ele como DJ para tocar no mesmo lugar em que faríamos o show. A partir daí ele substituiu o Melvin (baixista) em shows, gravei algumas músicas com ele e quando pensamos em alguém o nome dele saiu na frente!
Vocês pegaram a fase em que as bandas suavam pra gravar uma demo, ainda em K7, mandar via Correio e divulgar em zines, depois passaram a fazer lançamentos em CDs, com os selos independentes crescendo, e a chegada do MP3 e da internet. O quê vocês mais sentem falta de antigamente e qual seria o lado ruim de hoje em dia?
Acho que aproveitamos bastante todos estes anos. Sempre colocamos a vontade genuína de tocar frente às dificuldades que cada época apresentou. Na época das cartas, K7, zines e flyers, fazíamos nossas cópias, escrevíamos nossas cartas e trocávamos nossos flyers. Quando a coisa mudou pro e-mail e pro CD a gente tentou se adaptar e entender os novos caminhos. Continua mudando. Novas saídas, novas dificuldades. Sinto falta da Thirteen Records e do tempo em que a música gravada tinha mais valor.
No próximo dia 02 de outubro vocês tocam no Hangar 110, tem um sabor especial fazer o lançamento do disco em São Paulo lá?
Sim. Além de ser uma grande curtição tocar naquele palco, temos uma grande admiração pelo trabalho do Alemão e do Hangar. Durante todos estes anos, milhares de bandas se apresentaram ali. Bandas que admiramos, de quem somos fãs. Subir naquele palco é diferente. Além disso, acredito que se existissem mais lugares espalhados pelo Brasil como o Hangar, o circuito seria fortalecido.
Por falar nisso, qual você acha que são as principais diferenças do Carbona do primeiro show no Hangar 110, que imagino tenha sido em 1999, pra esse próximo cerca de 10 anos depois?
No show eu diria que é o repertório concentrado nos quatro últimos discos com músicas em português e a presença do Bjorn. Mas no fundo, vejo tudo como uma coisa só, uma trajetória única de rock básico, com melodias grudentas dando continuidade ao aprendizado na “Escola Ramônica de Música”.
Nesse show vocês tocarão com o Gramofocas, que inclusive vocês já fizeram cover. Nunca pensaram em fazer um disco de covers, nem que seja lançado somente virtual?
Já pensamos em fazer este disco e só não gravamos ainda por falta de recursos. A gente acaba sempre priorizando o disco de inéditas. Banda nacional boa é o que não falta. Daria sem dúvida um bom repertório de rock, um disco muito divertido.
Quais outras bandas nacionais contemporâneas ao Carbona vocês curtem?
Muzzarelas,
Zumbis do Espaço,
Magaivers,
Kaly,
Wander Wildner,
Tequila Baby, a lista é extensa.
Vocês lançaram virtualmente Dr. Fujita Contra a Abominável Mulher-Tornado há cerca de 20 dias, com uma prévia na TramaVirtual. Qual tem sido a resposta do público?
Tem sido bastante positiva. O
Dr. Fujita nos remete ao espírito dos primeiros anos, 11 músicas em menos de 24 minutos. Temos ali todos os elementos do nosso trabalho só que tocado por caras que estão juntos há mais de 13 anos. A entrada do Bjorn levou algumas pessoas a acharem que mudaríamos o rumo do nosso som e acabou sendo o contrário. Nós ficamos felizes com o disco. E parece que o público também.
Muito mais que Ramones, o Carbona tem referências diretas do bubblegum americano, além de cultura alternativa em geral, como cinema e quadrinhos. O quê mais influencia na hora de compor?
Ramones, Lookout! Records, cinema, quadrinhos. Olha, é exatamente isso turbinado por uma observação 24 horas de tudo que acontece ao nosso redor. Personagens do dia a dia, estórias, histórias, tudo é matéria prima para nossas músicas.
Sei que não dá pra estragar a surpresa, mas haverá algo especial neste show do Hangar 110?
Mais de 20 músicas no set! Baixem o disco gratuito
no nosso site, pois tocaremos 10 das 11 músicas no show!
fotos de:
Bruno Baketa
Para
ouvir e
baixar!
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